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O Grito | Espírito maligno causa horror em novo trailer

Longa estrelado por John Cho e Andrea Riseborough estreia em 2020

A Sony Pictures divulgou um trailer inédito do remake de O Grito, repleto de cenas macabras. Confira acima.

Nicolas Pesce, que estreou com o horror The Eyes of My Mother, será o diretor. Ele também assina o roteiro, anteriormente escrito por Jeff BuhlerJohn Cho, Demián Bichir e Andrea Riseborough estrelam o filme, que tem produção de Sam RaimiRob Tapert e Taka Ichise.

Em 2014, O Grito completou uma década de seu lançamento nos Estados Unidos. A versão americana se inspira na série japonesa Ju-On, iniciada em 2002; o diretor Takashi Shimizu dirigiu as duas versões, tanto a original japonesa quanto o remake de 2004, que foi estrelado por Sarah Michelle Gellar e teve duas continuações.

A estreia da nova versão de O Grito está marcada para 3 de janeiro de 2020.

MIS fará maratona dos clássicos de terror da Universal na Sexta-Feira 13

Evento contará com Drácula, A Múmia, Frankenstein e sua sequência

Bela Lugosi como Drácula no filme de 1931

Dezembro tem a última Sexta-Feira 13 do ano, e o MIS – Museu da Imagem e Som, em São Paulo, aproveitará a data para fazer uma maratona de clássicos de terror dos Monstros da Universal.

O evento contará com a exibição de Frankenstein (1931), Drácula (1931), A Múmia (1932) e A Noiva de Frankenstein (1935).

A maratona, realizada em parceria com a Sony Pictures Home Entertainment, acontece a partir das 23h30 de 13 de dezembro, no Auditório MIS, com capacidade de até 172 espectadores. A entrada é gratuita, mas os ingressos precisam ser retirados na recepção do MIS uma hora antes da exibição do primeiro filme. Mais informações podem ser encontradas no site oficial do MIS.

Roteiristas de Invocação do Mal escreverão franquia sobre casa de serial killer

Mansão LaLaurie é considerada uma das construções mais mal-assombradas do mundo

Madison Wolfe e Vera Farmiga em Invocação do Mal 2/Warner Bros.

Conhecidos pela franquia Invocação do Mal, Chad e Carey W Hayes vão escrever uma nova série de filmes inspirada nas histórias da Mansão LaLaurie, antigo lar da serial killer Delphine LaLaurie e vista como uma das casas mais mal-assombradas do planeta (via TheWrap).

Localizada em Nova Orleans, nos Estados Unidos, a construção era usada por LaLaurie para torturar e assassinar suas vítimas. A casa também era palco de diversas festas da alta sociedade da cidade, da qual a criminosa fazia parte. Fechada para o público desde 1932, a mansão ainda atrai o olhar de diversos turistas curiosos.

Atual dono da casa, Michael Whalen produzirá o filme ao lado de Cindy Bond e Doug McKay.

Uma versão fictícia de Delphine LaLaurie já foi interpretada na TV por Kathy Bates em American Horror Story: Coven.

Ainda se previsão de estreia ou elenco divulgado, o primeiro longa da franquia começará a ser filmado em 2020.

10 filmes de terror bizarros

A Geladeira Diabólica, Cannibal! The Musical e mais!

Um filme de terror não precisa causar medo para virar um clássico. Às vezes ele só precisa ser bizarro ou absurdamente ruim para ganhar o seu lugar ao sol, como é o caso de Plano 9 do Espaço Sideral, de Ed Wood, considerado o Cidadão Kane dos filmes ruins, e tem até Bela Lugosi no elenco. Nesta Omelista, conheça 10 filmes em que a péssima qualidade os levarão ao título de clássicos:

10 – The Drone (2019)

Um casal recém-casado é assombrado por um drone amaldiçoado com sede por sangue e completo desrespeito pela privacidade alheia.

9 – Rubber, O Pneu Assassino (2010)

Um filme tosco artístico, comandado pelo visionário Quentin Dupieux, sobre um pneu  assassino obcecado por uma mulher.

8 – A Geladeira Diabólica (1991)

No filme, um casal encontra um apartamento com aluguel barato em Nova York, mas o apartamento é habitado por uma geladeira velha e assassina que tem a missão de mandar as almas dos moradores para o inferno.

7 – Mangler, o Grito de Terror (1995)

O filme baseado no conto de Stephen King é estrelado por Robert Englund, o Fred Krueger, e dirigido pelo Tobe Hooper, de O Massacre da Serra Elétrica e Poltergeist.  O psicopatas da vez são uma passadeira industrial e um congelador. O longa é tão bom de ruim que ganhou  duas sequências lançadas em home vídeo: Pânico Virtual (2002) e Mangler – O Massacre (2005).

6 – Poultrygeist – A Noite das Galinhas Zumbis

Obra da Troma, o Marvel Studios dos filmes Trash, o filme gira em torno de galinhas zumbi que querem matar os trabalhadores de um restaurante de fast-food que foi construído em um terreno sagrado.

5 – A Maldição (1996)

Baseado no romance do Stephen King e dirigido por Tom Holland, que fez Brinquedo Assassino e A Hora do Espanto, o filme segue advogado obeso que passa a perder peso incontrolavelmente depois ser amaldiçoado por uma cigana.

4 – Cannibal! The Musical (1993)

Um musical sobre canibais escrito, dirigido, produzido e estrelado por Trey Parker e com Matt Stone também estrelando e produzindo. Anos depois, a dupla ficaria conhecida por South Park. O musical é levemente baseado na história real de Alferd Packer, que em 1873 saiu em uma viagem com cinco outros mineiros e voltou sozinho depois de ter comido seus colegas de viagem para sobreviver.

3 – Hobo with a Shotgun (2011)

Mendigo com uma Espingarda, em tradução livre, é estrelado por Rutger Hauer, de Blade Runner, e faz parte da leva de filmes originados nos “intervalos” de Grindhouse (2007), que também gerou Machete (2010). É a história de um morador de rua que encontra uma doze e sai matando geral, policial corrupto, pedófilo, Papai Noel…

2 – O Vingador Tóxico (1984)

Se a Troma é o Marvel Studios do Trash, O Vingador Tóxico, de 1984, é o Universo Cinematográfico da Marvel todo em um filme só. Essa é história de um menino franzino como Steve Rogers que cai em um tonel de lixo tóxico, possivelmente os restos dos experimentos que criaram o Hulk, e se torna o Vingador Tóxico, pronto para se vingar dos opressores e salvar o mundo.

1 – Jason X (2001)

O 2001: Uma Odisseia no Espaço da tosquice. O ano era 2001 e o estúdio achou que a melhor maneira de atualizar a franquia Sexta-Feira 13 seria mandando Jason Voorhees para uma nave espacial no Século XXV.

Sam Raimi dirigirá filme de terror para estúdio de Homem-Aranha

Novamente na Columbia Pictures, o diretor de Evil Dead retorna ao gênero uma década após seu último horror

Sam Raimi na SDCC 2014 (via Gage Skidmore)

Após alguns anos comandando séries de TV, Sam Raimi voltará a dirigir um filme de terror. O diretor, conhecido pelas franquias Evil Dead, se juntou a um projeto sem título da Columbia Pictures, mesmo estúdio onde fez a trilogia Homem-Aranha de Tobey Maguire [via Hollywood Reporter].

Ainda não há detalhes concretos sobre a trama, mas é descrita como uma mistura entre Louca Obsessão e Náufrago. O primeiro é uma obra de Stephen King que foi adaptada para o cinema em 1990, e acompanha um autor é resgatado de um acidente de carro por sua maior fã – apenas para descobrir que ela é uma assassina. Já o segundo é um filme estrelado por Tom Hanks em que um entregador da FedEx fica preso em uma ilha após um acidente de avião e precisa aprender a sobreviver na natureza impiedosa.

O roteiro do filme será escrito por Mark Swift e Damian Shannon, mesma dupla que escreveu o reboot de Sexta-Feira 13 (2009). Esse será o primeiro terror dirigido por Raimi em uma década desde Arraste-Me Para o Inferno, longa de 2009 que entrou para a nossa lista de 31 filmes essenciais de terror. Nesse meio tempo, porém, Raimi comandou um episódio da série Ash vs. Evil Dead, e também produziu vários projetos de gênero, como O Homem nas Trevas (2013) e Predadores Assassinos (2019).

Ainda não há previsão de estreia para o projeto.

31 filmes de terror essenciais para assistir em outubro

Aproveite o mês de Halloween com uma obra do horror por dia

Cartaz de O Exorcista

O Halloween oficialmente só acontece nos últimos dias do mês mas, para os fãs de terror, outubro inteiro é motivo para celebração. Como parte do “ritual”, fãs criam e compartilham listas temáticas para ter conteúdo suficiente para todos os 31 dias. Pela primeira vez, o Omelete fará parte da tradição.

Esse ano, a temática escolhida será os filmes essenciais de terror ao longo da história. Todo dia, um novo título será adicionado à lista, e uma maratona é altamente encorajada – para quem quiser manter o acompanhamento do mês, basta seguir nossa lista no Letterboxd e ir marcando os filmes assistidos por lá.

Vale lembrar que há uma limitação de quantos filmes cabiam na lista, portanto o critério não foi só importância histórica mas também significado, reconhecimento e, claro, entretenimento aterrorizante. Nos comentários, a discussão continua com opiniões dos leitores e muitas outras recomendações sangrentas!

01/10 – O Exorcista

Regan possuída em O Exorcista

O Exorcista/Divulgação

1973
Direção
: William Friedkin
Onde assistir? Disponível digitalmente para comprar/alugar no iTunes, Looke e PlayStation Network

É possível que a lista de 31 filmes essenciais de terror entregue escolhas polêmicas que criem discórdia entre os leitores, mas se há um que não há discussão é O Exorcista. O filme de 1973, dirigido por William Friedkin e adaptado por William Peter Blatty a partir do seu livro homônimo, não existiria sem alguns filmes predecessores (alguns dos quais também serão citados na lista de outubro), mas ele marcou a história do cinema como o primeiro terror a ser indicado a melhor filme no Oscar, estabelecendo novas possibilidades para o gênero.

Surpreendendo o estúdio, que lançou O Exorcista em 24 salas de cinema inicialmente, o filme arrecadou uma impressionante bilheteria, que ajustada para inflação, é a maior na história de filmes de classificação para maiores, chegando próximo de US$1 bilhão. Tão marcante quanto sua arrecadação foi o rebuliço de público, com relatos de vômitos e desmaios nas exibições, e reações ainda mais absurdas (e nunca comprovadas) que incluem infartos e abortos. Isso não impediu que o filme fosse indicado a 10 categorias no Oscar, vencendo Melhor Roteiro e Mixagem de Som.

Seja pelo vômito de sopa de ervilha, a menina se arrastando de cabeça para baixo, a masturbação com crucifixo ou o famoso giro de pescoço, O Exorcista marcou o cinema com cenas icônicas, mas o seu ritmo e clima sinistro também são inesquecíveis. Citado como “o que 2001 – Uma Odisséia no Espaço é para a ficção científica”, ou “o que O Poderoso Chefão é para os filmes de máfia”, é difícil minimizar o legado de O Exorcista, que mudou filmes de possessão demoníaca para sempre.

02/10 – Suspiria

Jessica Harper em Suspiria, de Dario Argento

Suspiria/Divulgação

1977
Direção
: Dario Argento
Onde assistir? Disponível apenas em DVD pela DVD World, em edição com extras

Dario Argento é o mestre definitivo do horror!”, discute Ellen Page em uma cena de Juno – e ela não está errada. O diretor italiano deixou sua marca no terror mundial ao ajudar a popularizar o giallo – provocativos e estilosos filmes italianos de serial killer – ao lado de outros como Mario Bava e Lucio Fulci. A lista poderia facilmente ter Prelúdio para Matar (1975), Tenebrae (1982) ou Phenomena (1985), mas Suspiria talvez seja o maior exemplar da obra e técnica de Argento.

O filme acompanha Suzy (Jessica Harper), uma dançarina americana que se junta à uma prestigiada academia de dança alemã. Mas ao chegar, assassinatos e ocorrências estranhas indicam que a escola e suas diretoras escondem um segredo perverso. O que faz Suspiria elevar-se acima dos demais é que a narrativa fica em segundo plano, dando espaço à uma verdadeira exploração sensorial, com visual surrealista, que passa a impressão de um belíssimo pesadelo em neon, e desconfortáveis ruídos e barulhos ao lado da excelente trilha sonora feita pela banda Goblin. É um terror que brilha na experimentação do que é medo, provando que desconforto pode ser tão eficiente e marcante quanto os sustos.

Ao longo das quatro décadas após seu lançamento, Suspiria tornou-se um clássico cult, indo muito além da Itália. Em 2018 ganhou um remake pelo diretor Luca Guadagnino e estrelado por Dakota Johnson e Tilda Swinton. A nova versão é excelente e tem ótima trilha sonora por Thom Yorke mas, infelizmente, troca a estética de sonho que consagrou o original por maior foco narrativo, ainda que entregue um ótimo longa em seus próprios termos.

03/10 – O Massacre da Serra-Elétrica

Leatherface em O Massacre da Serra-Elétrica

O Massacre da Serra-Elétrica/Divulgação

1974
Direção
: Tobe Hooper
Onde assistir? Disponível digitalmente para compra/aluguel/exibição em streaming no catálogo do Looke, e em mídia física ao lado de três outros filmes de Tobe Hooper e extras como parte da coleção Obras Primas do Cinema

O subgênero de slasher teve seu ápice (e desgaste) na década de 1980, mas isso não significa que excelentes filmes do tipo não tenham sido feitos antes disso. Na verdade, o cinema italiano e alguns longas setentistas pavimentaram esse caminho. Assim, não haveria Freddy Krueger, Jason e inúmeros outros assassinos descontrolados se não fosse por Leatherface.

O Massacre da Serra Elétrica é um divisor de águas. Histórias de horror da época costumavam ocorrer em locais isolados, mas o diretor e roteirista Tobe Hooper traz o medo para o coração dos Estados Unidos, acompanhando um grupo de jovens durante uma viagem, caindo na mão de uma surtada família texana e sendo perseguidos por um maníaco vestindo um rosto de pele humana costurada e carregando uma motosserra. Em termos de produção é um caso ainda mais impressionante, por ter sido feito com pouca grana (algo entre US$80 mil e US$100 mil) e atores inteiramente desconhecidos. O resultado, conquistado através de ótima direção e controle da tensão, é uma jornada sobre a natureza da violência e insanidade. De quebra, teve mais de US$30 milhões de bilheteria e ajudou a catapultar o slasher nos EUA e no mundo.

Pela ótica moderna – especialmente após a popularização do torture porn de Jogos Mortais e O Albergue -, o filme até “pega leve” na sua violência gráfica, que marca presença moderada. Mas o que torna um clássico atemporal é justamente o fato de que Hooper trabalha a brutalidade de Leatherface com certa sutileza, optando por mostrar pouco e deixar a mente do espectador completar os detalhes grotescos. Essa visão, é claro, não se aplica ao público da época: sua sanguinolência era absurda nos anos 70 que causou desistências nas salas de cinema pelo nojo, banimentos em países como o Brasil e, supostamente, sessões que distribuíam sacos para vômito junto com os ingressos.

04/10 – A Bruxa

A Bruxa

A Bruxa/RT Features/Divulgação

2015
Direção
: Robert Eggers
Onde assistir? Disponível digitalmente para comprar/alugar no iTunes, Google PlayLooke PlayStation, e também lançado em DVD no Brasil

Até agora, a lista dos filmes essenciais de terror focou em clássicos que surgiram nos anos 70, mas não é preciso retornar tanto ao passado para citar filmes que marcaram o gênero. Um dos mais recentes que não poderia ficar de fora é A Bruxa, estreia de Robert Eggers na direção e roteiro de um longa, e de Anna Taylor-Joy nos cinemas. Contando a história de uma família profundamente cristã na Nova Inglaterra em 1630, isolada de sua comunidade e atormentada por forças malignas, A Bruxa é um exemplo atual de construção de tensão, ritmo e maestria técnica.

Já se distanciando do terror mainstream de sua época, A Bruxa chama atenção por uma atenção impressionante aos detalhes, desde os costumes religiosos da época até um vocabulário arcaico, que entrega um realismo imediato. A captura de uma assombração tão primordial como a bruxa e o retrato cru do colapso espiritual de uma família são, neste contexto, perfeitamente eficazes. O estudo de ambientação feito por Eggers e sua equipe levaram o comprometimento das produções a um outro patamar.

A construção de suspense com poucos sustos também é memorável. Focando na crescente tensão entre os membros da família, o filme transmite a sensação de sufoco através do retrato do impacto do fundamentalismo religioso, e cria um desconforto marcante mostrando o difícil amadurecimento de uma jovem mulher neste ambiente. Com um elenco absolutamente impecável (a família é completa por performances inesquecíveis de Ralph Ineson como o pai e Kate Dickie como a mãe), A Bruxa é um dos maiores exemplos de um novo clássico do terror.

05/10 – O Sexto Sentido

1999
Direção: M. Night Shyamalan
Onde assistir? Disponível em streaming na Netflix e para comprar/alugar no iTunes, Google Play, Looke e PlayStation, e também lançado em DVD no Brasil

1999 é um ano inesquecível para o cinema e para o terror, e um dos motivos para isso foi a estreia de O Sexto Sentido. O longa que lançou a carreira de M. Night Shyamalan pode ser relembrado por inúmeros elementos, mas o que o introduz à lista de filmes essenciais de terror é imediato: a revolução da expectativa do público e o conceito de um twist final.

Claro que reviravoltas já existiam no cinema, mas o caso de O Sexto Sentido marcou uma evolução no terror. Antes da internet e do conceito de spoilers, a produção de Shyamalan fez do público seu parceiro, e criou um fenômeno de boca a boca que levou fãs ao cinema para entender o burburinho ao redor do segredo do filme.

Enquanto isto é o que torna O Sexto Sentido tão marcante, não é apenas nisso que o filme se sustenta. Funcionando primeiramente como um drama familiar, o suspense psicológico apresentou pela primeira vez o traço único de Shyamalan, criando um clima de assombração através do passo lento de sua câmera e de seus diálogos. O Sexto Sentido não poupa imagens marcantes ou sustos, mas seu maior elemento aterrorizante está no prolongamento das cenas. Tudo isso ainda se completa por Bruce Willis em um papel distante do seu familiar “cara durão”, Toni Collette incrível como sempre e o pequeno Haley Joel Osment, que marcou a história do cinema com a icônica frase “eu vejo pessoas mortas”.

A relevância do longa foi oficializada com seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhores Atuações Coadjuvantes de Haley Joel Osment e Toni Collette.

06/10 – Arraste-Me Para o Inferno

2009
Direção: Sam Raimi
Onde Assistir? Disponível digitalmente para streaming no catálogo do GloboPlay, e para compra/aluguel na PlayStation Network, Google Play, Looke e iTunes

A franquia Evil Dead é a maior contribuição de Sam Raimi para o terror mas, durante o início dos anos 2000, o cineasta se afastou do gênero para comandar a trilogia Homem-Aranha, com Tobey Maguire. Após o decepcionante Homem-Aranha 3 em 2007, Raimi sumiu dos holofotes e ensaiou um retorno ao universo que o consagrou. O resultado veio dois anos depois, chamado de Arraste-Me Para o Inferno.

O longa acompanha Christine (Alison Lohman), uma analista de crédito que, na tentativa de impressionar seu patrão, nega a extensão da hipoteca da senhora Ganush (Lorna Raver). A idosa, sentindo-se humilhada, amaldiçoa a jovem, atrelando sua alma a um poderoso demônio. Isso dá início à uma aterrorizante ameaça para Christine, que corre o risco de queimar no inferno por seus erros. Na obra é possível observar o estilo de Raimi em seu ápice, com um terror provocativo, escatológico e, claro, cheio de humor pastelão. É um filme bastante simples mas que cria uma mitologia intrigante ao mesmo tempo que testa a tolerância e estômago do espectador.

Nos dias de hoje, Arraste-Me Para o Inferno não tem o reconhecimento que merece mas, na época, teve um papel importante em colocar em movimento uma nova era de ouro de horror nos cinemas. O filme entregou uma bilheteria sólida, mostrando que havia espaço para ideias originais e para uma revitalização do terror apelativo. Mas a conquista mais importante do filme é sem dúvidas restaurar a confiança de Raimi como cineasta de gênero. Logo em seguida, ele reviveu sua criação original com um remake de Evil Dead em 2013, dirigido por Fede Álvarez, e desenvolver a série de TV Ash vs. Evil Dead, além de também assinar a produção-executiva de uma variedade de projetos de peso, como O Homem nas Trevas e Predadores Assassinos.

07/10 – Psicose

1960
Direção
: Alfred Hitchcock
Onde assistir? Disponível em streaming no Claro Vídeo e Telecine Play, para comprar digitalmente no Looke, e também em DVD no volume 1 da Coleção Hitchcock, da Universal Pictures, acompanhado de seis outros filmes

O Exorcista pode ser o ápice do terror, mas nenhuma obra da lista é tão popular e influente quanto Psicose. Naquele ponto, em 1960, Alfred Hitchcock já era o Mestre do Suspense, tendo comandado clássicos como Pacto Sinistro (1951), Janela Indiscreta (1954) e Um Corpo que Cai (1958), mas é contando os eventos de uma noite no Motel Bates que o diretor mostra que também sabe criar horror de peso e altíssimo nível.

A trama acompanha Marion Crane (Janet Leigh), uma secretária que aplica um golpe em seu patrão e foge com dinheiro. Em sua fuga criminosa durante uma noite chuvosa, ela é forçada a parar em um motel de estrada, comandado por Norman Bates (Anthony Perkins). Daí em diante, as coisas só ficam mais sombrias e violentas, algo que o público dos anos 60 não estavam preparando para encontrar tão graficamente no cinema. Psicose literalmente criou um novo padrão para horror visceral, ao ponto que sua icônica cena de assassinato – com sangue feito com xarope de chocolate – é parte integral da cultura pop.

Mesmo sendo tão reconhecível, Psicose é atemporal e continua uma experiência intensa até para sensibilidades modernas. Não importa saber o que está para acontecer, a forma como Hitchcock trabalha a tensão e prende o interesse do espectador é algo que poucos conseguiram fazer nos anos seguintes.

08/10 – Hereditário

2018
Direção:
Ari Aster
Onde Assistir? Disponível para streaming no Amazon Prime Video, e para compra/aluguel digital no Google Play e iTunes

O filme mais recente da lista também marca a estreia de Ari Aster na direção de um longa. Além disso, é um dos títulos mais polêmicos dos últimos anos. Seguindo a tendência do horror moderno que preza pela complexidade, o cineasta explora a ruptura de uma família tomada pelo luto. Ao ritmo que sua trama avança, fica mais e mais claro que também há influência de forças sobrenaturais.

Hereditário anda no seu próprio ritmo, entregando progressão agoniante que valoriza mais o emocional destruído de seus personagens do que algum tipo de ação ao espectador (ainda que os momentos finais compensam bastante esse aspecto). Esse terror de desconforto é exaltado ao intercalar drama familiar muito bem atuado com violência gráfica. É um filme único no gênero, e ainda mais especial por ter conseguido fazer sua voz ser amplamente ouvida na era do barulho incessante das franquias cinematográficas.

Assim como outros filmes dessa leva, como A Bruxa, Hereditário também foi alvo da cansativa discussão a respeito de ser ou não terror. A obra de Aster não só se encaixa perfeitamente no gênero com suas ameaças satânicas e metacomentário através do choque, como também o faz com qualidade de primeira e impacto imperdoável. É uma experiência memorável e traumatizante em medidas iguais, seja pelo uso de imagens horripilantes ou então pela poderosa atuação de Toni Collette. Não há dúvidas que Hereditário é um clássico moderno do horror.

09/10 – Tubarão

1975
Direção: 
Steven Spielberg
Onde Assistir? Disponível para streaming no Prime Video e Telecine Play e para compra e aluguel no Looke, Google Play e iTunes Store.

Há um longo e infinito debate ao redor do gênero de Tubarão, o clássico de Steven Spielberg, que brinca com os limites do terror e da aventura. E apesar de muitos chegarem a categorizar o longa como drama (ou até comédia), não há quem negue que o suspense de Tubarão é seu elemento mais memorável. Seria impossível lembrar de Tubarão sem ouvir as icônicas notas de John Williams ou reviver um dos maiores jump-scares do cinema, quando a criatura finalmente se revela para os protagonistas.

Tubarão retrata a ameaça de um animal em um resort de uma pacata cidade, e a subsequente caça da criatura por três homens: o chefe de polícia (Roy Scheider), um biólogo marinho (Richard Dreyfuss), e um caçador profissional (Robert Shaw). O filme alterna entre momentos de suspense absoluto, marcado pelo ponto de vista do animal sem revelar o seu físico, e no confronto direto entre os homens e sua presa, que marca o passo do terceiro ato do filme.

Os efeitos de Tubarão para o cinema são amplamente conhecidos: não apenas ele marcou como uma das maiores bilheterias da história (hoje ele é listado em 7º lugar entre maiores bilheterias ajustadas para a inflação) como ele estabeleceu a tática de lançamento de blockbusters de verão nos EUA, ampliando a exibição em diversos cinemas com uma estratégia de marketing pesada. Para o terror, seu peso é ainda mais claro. Do mesmo modo que muitos filmes da lista dão início a um novo medo no público, após o lançamento de Tubarão o medo do animal cresceu significantemente: no ano da estreia, pesquisas indicaram menor número de pessoas nas praias e um aumento no número de pessoas que registraram ter visto um tubarão.

O suspense criado por Spielberg na primeira metade do filme, que mantém a aparência do tubarão em segredo, também é citado como grande influência no terror slasher. A primeira cena, que mostra a diversão do público, a música crescente, e a primeira vítima do animal, é creditada como referência para Halloween, de John Carpenter, que seria lançado três anos mais tarde.

10/10 – Invocação do Mal

2013
Diretor:
James Wan
Onde Assistir? Disponível em mídia física; para streaming na Netflix; e para compra/aluguel na PlayStation Network, Google Play, iTunes, Looke e Microsoft Store

O terror comercial moderno é frequentemente alvo de críticas, muitas delas bastante válidas, mas isso não significa que não há valor em algumas das obras. Em 2013, quando a ideia de universos cinematográficos se limitava apenas à Marvel, o cineasta James Wan – já veterano de Jogos Mortais e Sobrenatural – importou o conceito para o horror. Assim surgiu o primeiro Invocação do Mal, um verdadeira fonte de ideias – e dinheiro – para a Warner Bros.

A trama é inspirada pelo casal de exorcistas Ed e Lorraine Warren, aqui vividos por Patrick Wilson e Vera Farmiga, e mostra um caso de assombração que a dupla enfrentou durante a década de 1970. O filme pode ser sim raso em sua narrativa, mas compensa bastante com uma pegada de “brinquedo de parque de diversões”, colocando um susto atrás do outro. Pode ser difícil conceber isso agora, visto que este universo já rendeu sete filmes (contando derivados) que tentam imitar a linguagem, mas a direção de Wan brilha em estabelecer a tensão de cada momento, brincar com as expectativas do público e também intercalar com pitadas de humor.

O maior foco em experiência do que conteúdo combinam muito bem com Wilson e Farmiga, que trazem dinâmica e química ao casal. Tudo isso misturado faz com que Invocação do Mal seja o primeiro procedural de horror dos cinemas, que atende bem tanto os espectadores veteranos em busca de cinema de gênero blockbuster quanto os novatos, que tiveram pouco contato com horror. Os derivados podem ter descarrilado ao passar dos anos, mas a franquia continuará funcionando enquanto a ideia seja entreter e assustar.

11/10 – O Babadook

Screen Australia/Divulgação

2014
Direção: Jennifer Kent
Onde assistir? Disponível em streaming na Netflix.

É impressionante como alguns dos maiores terrores que surgiram nos últimos anos vieram de diretores estreantes. Assim como A Bruxa, de Robert Eggers, e Hereditário, de Ari Aster, O Babadook marcou o primeiro longa da diretora Jennifer Kent, com estreia no Festival de Sundance em 2014. Entrando para a lista de filmes de terror que são dramas intensos, o longa conta a história de uma mãe viúva que ainda sofre com a morte de seu marido e seu filho exigente, quando um livro misterioso liberta um monstro em sua casa e domina sua vida.

Com uma direção certeira, O Babadook trabalha em uma construção de suspense que mantém o seu monstro no mistério, com poucas aparições e muita tensão, mas com belos sustos. Na realidade, o filme trabalha mais no psicológico da mãe e no aprofundamento de sua insanidade enquanto ela lida com a criatura, tornando um dos terrores mais claros em sua metáfora: Babadook é mais sobre trauma, depressão e maternidade do que um filme de assombração gratuito. Sua história é tão rica em representações que o monstro chegou até a virar um ícone LGBTQ+.

O terror australiano foi sucesso de crítica e considerado um dos melhores filmes de 2014, rendendo até elogios de um dos mestres do gênero, o diretor de O Exorcista, William Friedkin, que colocou a obra no mesmo patamar de Psicose e Alien. No Twitter, Friedkin agradeceu a diretora pelo seu trabalho: Obrigado pela experiência intensa com personagens verossímeis. Raro hoje em dia”.

12/10 – Jogos Mortais

2004
Direção: James Wan
Onde Assistir? Disponível digitalmente para aluguel/compra no iTunes, Claro Video, Microsoft Storee PlayStation Network

O terror passou por maus bocados no início dos anos 2000. Após a saturação de slashers das décadas anteriores, as produções de alto nível decaíram, e o horror de qualidade se encontrava mais em suspenses como os de M. Night Shyamalan. É nesse contexto que Jogos Mortais se torna tão interessante: interrompendo a onda dos thrillers com um terror sujo, cheio de violência e, inesperadamente, atingindo um sucesso estrondoso.

O filme, projeto universitário de James Wan com Leigh Whannell, segue a lógica de Caẽs de Aluguel e coloca toda a história para correr em um único lugar, se firmando na interação entre seus personagens e o cenário. Dois homens acordam acorrentados em lados opostos de um banheiro, sem saber como chegaram lá. No meio da sala, um cadáver com um toca-fitas avisando que tudo está prestes a ficar pior caso os dois não encontrem uma forma de sair dali. É uma premissa contida, intercalada por trechos do mundo exterior que narram uma investigação policial pelo assassino por trás das armadilhas. Dessa forma, o longa atende tanto o público fã de suspenses da época quanto quem sentia saudade de sangue.

Deixando de lado a noção de que a franquia se tornou cada vez mais absurda, o primeiro Jogos Mortais se mantém como terror independente de qualidade, que soube trabalhar tanto uma premissa boa em um orçamento minúsculo através de boa direção e escrita que combina mistério com violência suja e bruta. Além disso, também é uma daquelas poucas histórias de sucessos inusitados. O projeto fez cerca de US$100 milhões nas bilheterias, o que é ótimo considerando seu valor de produção de US$ 1,2 milhão.

13/10 – Carrie

1976
Direção: Brian De Palma
Onde Assistir? Disponível em streaming no Telecine Play e para compra/aluguel no iTunes.

Uma das maneiras admiráveis de fazer terror é levar a crueldade humana para a tela, e entre os filmes clássicos do gênero poucos fizeram isso tão bem quanto Carrie. A adaptação do primeiro conto de Stephen King, dirigida por Brian De Palma, funciona como terror em diversos níveis, mas seu principal elemento é fazer o público se relacionar com a sua protagonista, refletindo a maldade em quem ri dela, até o seu ato final, quando o espectador se vê forçado a se afastar ao testemunhar suas últimas consequências. Se isso não bastasse para tornar Carrie um dos filmes essenciais do terror, o longa traz a cena mais icônica de um baile de formatura, que já foi referenciada, copiada e parodiada diversas vezes no cinema.

Carrie (Sissy Spacek) é uma garota tímida e protegida do mundo por sua mãe (Piper Laurie), uma religiosa fanática, o que a torna um alvo fácil de bullying em sua escola. Desenvolvendo sua força através de poderes telecinéticos, Carrie impõe sua vingança quando é ridicularizada por seus colegas na formatura. Na trama, De Palma brinca com humor, suspense e terror em um mesmo filme, em pouco mais de 90 minutos.

Apesar de se sustentar com uma trama adolescente pela maior parte de sua duração, Carrie encontra o seu suspense na relação da garota com sua mãe, e ambienta um terror psicológico na casa das duas, onde tudo é escuro e recheado de símbolos religiosos. Mas é em seu final que De Palma transforma a história de Carrie em um terror inegável, e por mais distante que o estilo do filme esteja do terror atual, ele termina com um dos jump-scares mais memoráveis do cinema. O filme se torna grandioso também pelas performances marcantes de Spacek e Laurie – indicadas ao Oscar por suas atuações – e uma trilha sonora perfeita de Pino Donaggio.

Discutido por diversos motivos, Carrie funciona em tantos níveis que pode ser considerado um suspense, um humor sombrio e um filme sobre amadurecimento feminino que tem interpretações tanto feministas quanto seu completo oposto. Mas é esta complexidade que faz de Carrie um terror tão duradouro.

14/10 – O Iluminado

1980
Direção: Stanley Kubrick
Onde assistir? Disponível em streaming na HBO Go e para compra e aluguel digital na Playstation Store, iTunes e Microsoft Store.

O clássico de Stanley Kubrick, de 1980, é difícil de colocar em palavras. Baseado no livro de Stephen King e protagonizado por Jack Nicholson, em uma das performances mais marcantes de sua carreira, O Iluminado revolucionou o que se espera do terror tanto em clima quanto em técnica. Se utilizando da recém-introduzida tecnologia da Steadicam (que rendeu as cenas que acompanham Danny em seu triciclo, por exemplo), e estabelecendo novos padrões de direção para o gênero, o filme acompanha a vida da família de Jack (Nicholson) isolada da sociedade no grandioso Hotel Overlook, assombrada por seus corredores vazios e histórias de um passado terrível.

O que torna O Iluminado tão assustador é a sua energia sinistra. Do começo ao fim, o filme se distancia do terror tradicional por atingir um nível de estranheza singular, mesmo em cenas que poderiam ser absolutamente corriqueiras, com espaços abertos e bastante iluminação. É o comportamento de seus personagens, que sempre beiram a insanidade, junto com um acompanhamento musical de primeira, que fazem O Iluminado constantemente sinistro.

O filme tem uma série de imagens assustadoras que ficam na memória – o dilúvio de sangue, as gêmeas, a velha pelada no espelho, o indivíduo com a máscara de animal – e frases que se tornaram clássicas no terror, mas todos estes elementos apenas intensificam a jornada de terror testemunhada por Danny (Danny Lloyd), Jack e Wendy (Shelley Duvall). Além de tudo isso, o fator mais inquietante de O Iluminado é a eterna dúvida do que é assombração e o que é loucura. Com isso, Kubrick puxa o público para dentro da história, para duvidar de si mesmo e ficar marcado para sempre pela estranheza do que testemunhou.

Demorou para que a crítica e o público entendessem a grandiosidade de O Iluminado, que surpreendentemente não recebeu nenhuma indicação ao Oscar e, inclusive, foi mencionado duas vezes no Framboesa de Ouro, nas categorias de Pior Atriz e Pior Diretor (!!!). Com o tempo, a crítica começou a se reposicionar e o público também, entendendo o impacto duradouro e único do que Kubrick criou. Hoje ele é considerado não apenas um terror essencial como uma das maiores obras do cinema.

15/10 – O Brinquedo Assassino

1988
Direção: Tom Holland
Onde Assistir? Disponível para aluguel e compra no iTunes.

O Brinquedo Assassino não é o primeiro filme de terror a figurar um boneco como grande ameaça, e definitivamente não foi o último. Isso já havia sido feito em filmes como Na Solidão da Noite (1945) e Bonecas Macabras (1987), com bonecos de ventríloquo e bonecas de porcelana. A diferença do filme de 88 é a introdução de um boneco de criança, com o visual inocente e o apelo infantil. Com um filme que combina suspense de slasher, magia e humor, Chucky se tornou o símbolo absoluto de bonecos assassinos.

Um dos fatores mais amedrontadores de Chucky (dublado maravilhosamente por Brad Dourif) é a sua posição como companheiro de Andy, um garoto de apenas sete anos, interpretado por Alex Vincent, que tinha a mesma idade e uma aparência perfeitamente inocente. Quando os crimes de Chucky vão sendo atribuídos a Andy, o efeito é devastador. A pobre criancinha, responsabilizada pelos crimes e ainda perseguida por Chucky, retratava a vítima perfeita. O boneco é também um dos maiores exemplos de assassinos imbatíveis: ele sempre retorna, mesmo após ser espancado, decepado ou incinerado.

O Brinquedo Assassino também se tornou uma das franquias mais duradouras do terror, levada adiante por uma legião fiel de seguidores. Apesar de não ser mais levado para os cinemas e seus últimos lançamentos terem sido produções direto para vídeo (o remake de 2019 não fez parte da franquia original, por acontecer sem envolvimento do criador, Don Mancini), a franquia de Chucky tem longevidade impressionante com seis sequências, HQs e uma vindoura série de TV. O visual de Chucky, salvo por algumas cicatrizes, também se tornou sagrado. A tecnologia pode avançar, mas Chucky sempre será um boneco animatrônico.

Equilibrando muito bem horror e humor, Chucky é o perfeito símbolo do assassino que pode ser assustador e também ridículo. A duração da franquia e sua aparência icônica fazem de O Brinquedo Assassino um filme essencial de terror.

 

16/10 – Predador

1987
Direção:
John McTiernan
Onde Assistir? Disponível digitalmente para aluguel/compra no iTunes, Google Play, PlayStation Network e Microsoft Store

Ação é o oposto do terror. Ter protagonistas habilidosos e armados é a fórmula certa para acabar com qualquer tensão. É isso que torna Predador um marco, a fusão perfeita entre os populares filmes de brucutu oitentista com horror slasher.

Estrelado por Arnold Schwarzenegger, a trama acompanha um grupo de militares em missão de resgate em uma selva da América Central. Chegando lá, eles são surpreendidos por um matador extraterrestre que os caça, um por um. Assim como Alien, o que faz a ameaça funcionar é o fato de pouco ser mostrado até o ato final. O filme usa bastante a perspectiva do monstro espreitando os soldados, mas tudo que o público vê são rastros e vultos – assim como os protagonistas. Quando finalmente sua figura é revelada, o caçador nada mais é do que grotesco e horripilante, rapidamente se tornando um dos monstros mais icônicos do cinema.

Como toda boa franquia de horror, Predador foi muito explorada, das sequências bizarras aos crossovers inusitados, mas o original continua sendo o melhor. O longa é especialmente pontual na era das inúmeras discussões sobre a natureza do terror já que, mesmo entre bordões, tiros e homens bombados, o monstro entrega tensão e sangue ao provar que o gênero funciona até mesmo quando misturado com outros.

17/10 – Sexta-Feira 13

1980
Direção: Sean S. Cunningham
Onde assistir? Disponível para aluguel e compra no Google Play e iTunes e para compra na PlayStation Network.

Quando se fala de assassinos de filmes de terror, é impossível não mencionar Jason, o maior nome da franquia de Sexta-Feira 13. O primeiro capítulo da saga, dirigido por Sean S. Cunningham e lançado em 1980, no entanto, traz apenas uma breve menção ao psicopata do Acampamento Crystal Lake. Foi apenas em seus capítulos seguintes, mais precisamente no terceiro longa, de 1982, que Jason apareceu como é conhecido hoje, com a icônica máscara de hockey. Mesmo assim, para a lista de filmes essenciais de terror, o que entra é o primeiro longa.

Mostrando a curta estadia de um grupo de adolescentes no Acampamento Crystal Lake, local que havia sido abandonado por anos após um garoto ter morrido afogado, o filme traz as convenções clássicas de um slasher do começo dos anos 80, mas ganha destaque por uma reviravolta marcante do cinema. Com uma câmera bem trabalhada que coloca o público no ponto de vista do assassino, e revelações limitadas à vestimenta do criminoso, Sexta-Feira 13 traz um twist de gênero memorável ao desvendar finalmente quem realmente estava aterrorizando os jovens. Apesar de não ser tão bem recebido pela crítica – aliás, a franquia inteira de Sexta-Feira 13 não agradou muito os especialistas – o twist final foi elogiado, e se tornou uma das mais famosas surpresas do gênero.

Vale ressaltar, no entanto, que a figura de Jason, por sua representação dentro do terror, não pode ficar de fora da lista. Apesar da posição pertencer ao primeiro filme, esse item é uma tentativa de representar a relevância da franquia. Assim como Freddy Krueger ou Michael Myers, Jason Vorhees é um assassino essencial do terror.

18/10 – À Meia Noite Levarei Sua Alma

1964
Direção
: José Mojica Marins
Onde Assistir? Disponível para aluguel digital no Looke, e também digitalmente em coleção da Focus Filmes com outros oito filmes do diretor

O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência”, e com essas palavras José Mojica Marins inaugurou o cinema de horror no Brasil.

Bons filmes de terror nacionais não estão em falta – precisaria de uma lista só para citar as obras de Rodrigo Aragão, Gabriela Amaral, Dennison Ramalho, entre outros -, mas nenhum deles existiriam sem as polêmicas e perturbadas produções do cineasta em meados da década de 1960. Junto com a chegada do gênero ao país, veio também seu monstro mais reconhecível: o Zé do Caixão.

O filme marca a primeira aparição do coveiro. Em uma cidade do interior de São Paulo, Zé do Caixão se diferencia dos demais pela sua aparência e postura anti-religiosa. Seu único objetivo, em meio à uma vida de descrença, é encontrar uma mulher apta para lhe parir um filho – mesmo que contra a vontade. O personagem é um vilão sem redenção, e sem desculpas ou justificativas para seus atos monstruosos e agressões. Isso faz com que Meia Noite soe como um filme brutal e implacável mesmo nos dias de hoje, o que é reforçado pela técnica suja, imperfeita e traumatizante de Mojica. Um roteiro cheio de diálogos impactantes e ocasionalmente caricatos, com um gostinho de faroeste pelas experiências passadas do diretor, criam algo único, uma experiência verdadeiramente perversa, profana e fantasmagórica.

Felizmente, o Zé do Caixão teve todo o reconhecimento que merece, gerando não só duas continuações (composta por Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, de 1967, e Encarnação do Demônio, de 2008), como também inúmeros filmes, séries de TV e HQs. No Brasil é referência máxima da produção nacional até os dias de hoje. Já no exterior virou ícone trash, seja ao ser recomendado por cinéfilos exploradores, ou então ter suas obras como alvo de desejo de todo tipo de cineasta, do mestre do filme-b Roger Corman (Stallone: Cobra) ao cult Roman Polanski (O Bebê de Rosemary).

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31 filmes de terror essenciais para assistir em outubro

Aproveite o mês de Halloween com uma obra do horror por dia

Cartaz de O Exorcista

O Halloween oficialmente só acontece nos últimos dias do mês mas, para os fãs de terror, outubro inteiro é motivo para celebração. Como parte do “ritual”, fãs criam e compartilham listas temáticas para ter conteúdo suficiente para todos os 31 dias. Pela primeira vez, o Omelete fará parte da tradição.

Esse ano, a temática escolhida será os filmes essenciais de terror ao longo da história. Todo dia, um novo título será adicionado à lista, e uma maratona é altamente encorajada – para quem quiser manter o acompanhamento do mês, basta seguir nossa lista no Letterboxd e ir marcando os filmes assistidos por lá.

Vale lembrar que há uma limitação de quantos filmes cabiam na lista, portanto o critério não foi só importância histórica mas também significado, reconhecimento e, claro, entretenimento aterrorizante. Nos comentários, a discussão continua com opiniões dos leitores e muitas outras recomendações sangrentas!

01/10 – O Exorcista

O Exorcista/Divulgação

1973
Direção
: William Friedkin
Onde assistir? Disponível digitalmente para comprar/alugar no iTunes, Looke e PlayStation Network

É possível que a lista de 31 filmes essenciais de terror entregue escolhas polêmicas que criem discórdia entre os leitores, mas se há um que não há discussão é O Exorcista. O filme de 1973, dirigido por William Friedkin e adaptado por William Peter Blatty a partir do seu livro homônimo, não existiria sem alguns filmes predecessores (alguns dos quais também serão citados na lista de outubro), mas ele marcou a história do cinema como o primeiro terror a ser indicado a melhor filme no Oscar, estabelecendo novas possibilidades para o gênero.

Surpreendendo o estúdio, que lançou O Exorcista em 24 salas de cinema inicialmente, o filme arrecadou uma impressionante bilheteria, que ajustada para inflação, é a maior na história de filmes de classificação para maiores, chegando próximo de US$1 bilhão. Tão marcante quanto sua arrecadação foi o rebuliço de público, com relatos de vômitos e desmaios nas exibições, e reações ainda mais absurdas (e nunca comprovadas) que incluem infartos e abortos. Isso não impediu que o filme fosse indicado a 10 categorias no Oscar, vencendo Melhor Roteiro e Mixagem de Som.

Seja pelo vômito de sopa de ervilha, a menina se arrastando de cabeça para baixo, a masturbação com crucifixo ou o famoso giro de pescoço, O Exorcista marcou o cinema com cenas icônicas, mas o seu ritmo e clima sinistro também são inesquecíveis. Citado como “o que 2001 – Uma Odisséia no Espaço é para a ficção científica”, ou “o que O Poderoso Chefão é para os filmes de máfia”, é difícil minimizar o legado de O Exorcista, que mudou filmes de possessão demoníaca para sempre.

02/10 – Suspiria

Suspiria/Divulgação

1977
Direção
: Dario Argento
Onde assistir? Disponível apenas em DVD pela DVD World, em edição com extras

Dario Argento é o mestre definitivo do horror!”, discute Ellen Page em uma cena de Juno – e ela não está errada. O diretor italiano deixou sua marca no terror mundial ao ajudar a popularizar o giallo – provocativos e estilosos filmes italianos de serial killer – ao lado de outros como Mario Bava e Lucio Fulci. A lista poderia facilmente ter Prelúdio para Matar (1975), Tenebrae (1982) ou Phenomena (1985), mas Suspiria talvez seja o maior exemplar da obra e técnica de Argento.

O filme acompanha Suzy (Jessica Harper), uma dançarina americana que se junta à uma prestigiada academia de dança alemã. Mas ao chegar, assassinatos e ocorrências estranhas indicam que a escola e suas diretoras escondem um segredo perverso. O que faz Suspiria elevar-se acima dos demais é que a narrativa fica em segundo plano, dando espaço à uma verdadeira exploração sensorial, com visual surrealista, que passa a impressão de um belíssimo pesadelo em neon, e desconfortáveis ruídos e barulhos ao lado da excelente trilha sonora feita pela banda Goblin. É um terror que brilha na experimentação do que é medo, provando que desconforto pode ser tão eficiente e marcante quanto os sustos.

Ao longo das quatro décadas após seu lançamento, Suspiria tornou-se um clássico cult, indo muito além da Itália. Em 2018 ganhou um remake pelo diretor Luca Guadagnino e estrelado por Dakota Johnson e Tilda Swinton. A nova versão é excelente e tem ótima trilha sonora por Thom Yorke mas, infelizmente, troca a estética de sonho que consagrou o original por maior foco narrativo, ainda que entregue um ótimo longa em seus próprios termos.

03/10 – O Massacre da Serra-Elétrica

O Massacre da Serra-Elétrica/Divulgação

1974
Direção
: Tobe Hooper
Onde assistir? Disponível digitalmente para compra/aluguel/exibição em streaming no catálogo do Looke, e em mídia física ao lado de três outros filmes de Tobe Hooper e extras como parte da coleção Obras Primas do Cinema

O subgênero de slasher teve seu ápice (e desgaste) na década de 1980, mas isso não significa que excelentes filmes do tipo não tenham sido feitos antes disso. Na verdade, o cinema italiano e alguns longas setentistas pavimentaram esse caminho. Assim, não haveria Freddy Krueger, Jason e inúmeros outros assassinos descontrolados se não fosse por Leatherface.

O Massacre da Serra Elétrica é um divisor de águas. Histórias de horror da época costumavam ocorrer em locais isolados, mas o diretor e roteirista Tobe Hooper traz o medo para o coração dos Estados Unidos, acompanhando um grupo de jovens durante uma viagem, caindo na mão de uma surtada família texana e sendo perseguidos por um maníaco vestindo um rosto de pele humana costurada e carregando uma motosserra. Em termos de produção é um caso ainda mais impressionante, por ter sido feito com pouca grana (algo entre US$80 mil e US$100 mil) e atores inteiramente desconhecidos. O resultado, conquistado através de ótima direção e controle da tensão, é uma jornada sobre a natureza da violência e insanidade. De quebra, teve mais de US$30 milhões de bilheteria e ajudou a catapultar o slasher nos EUA e no mundo.

Pela ótica moderna – especialmente após a popularização do torture porn de Jogos Mortais e O Albergue -, o filme até “pega leve” na sua violência gráfica, que marca presença moderada. Mas o que torna um clássico atemporal é justamente o fato de que Hooper trabalha a brutalidade de Leatherface com certa sutileza, optando por mostrar pouco e deixar a mente do espectador completar os detalhes grotescos. Essa visão, é claro, não se aplica ao público da época: sua sanguinolência era absurda nos anos 70 que causou desistências nas salas de cinema pelo nojo, banimentos em países como o Brasil e, supostamente, sessões que distribuíam sacos para vômito junto com os ingressos.

04/10 – A Bruxa

A Bruxa/RT Features/Divulgação

2015
Direção
: Robert Eggers
Onde assistir? Disponível digitalmente para comprar/alugar no iTunes, Google PlayLooke PlayStation, e também lançado em DVD no Brasil

Até agora, a lista dos filmes essenciais de terror focou em clássicos que surgiram nos anos 70, mas não é preciso retornar tanto ao passado para citar filmes que marcaram o gênero. Um dos mais recentes que não poderia ficar de fora é A Bruxa, estreia de Robert Eggers na direção e roteiro de um longa, e de Anna Taylor-Joy nos cinemas. Contando a história de uma família profundamente cristã na Nova Inglaterra em 1630, isolada de sua comunidade e atormentada por forças malignas, A Bruxa é um exemplo atual de construção de tensão, ritmo e maestria técnica.

Já se distanciando do terror mainstream de sua época, A Bruxa chama atenção por uma atenção impressionante aos detalhes, desde os costumes religiosos da época até um vocabulário arcaico, que entrega um realismo imediato. A captura de uma assombração tão primordial como a bruxa e o retrato cru do colapso espiritual de uma família são, neste contexto, perfeitamente eficazes. O estudo de ambientação feito por Eggers e sua equipe levaram o comprometimento das produções a um outro patamar.

A construção de suspense com poucos sustos também é memorável. Focando na crescente tensão entre os membros da família, o filme transmite a sensação de sufoco através do retrato do impacto do fundamentalismo religioso, e cria um desconforto marcante mostrando o difícil amadurecimento de uma jovem mulher neste ambiente. Com um elenco absolutamente impecável (a família é completa por performances inesquecíveis de Ralph Ineson como o pai e Kate Dickie como a mãe), A Bruxa é um dos maiores exemplos de um novo clássico do terror.

05/10 – O Sexto Sentido

1999
Direção: M. Night Shyamalan
Onde assistir? Disponível em streaming na Netflix e para comprar/alugar no iTunes, Google Play, Looke e PlayStation, e também lançado em DVD no Brasil

1999 é um ano inesquecível para o cinema e para o terror, e um dos motivos para isso foi a estreia de O Sexto Sentido. O longa que lançou a carreira de M. Night Shyamalan pode ser relembrado por inúmeros elementos, mas o que o introduz à lista de filmes essenciais de terror é imediato: a revolução da expectativa do público e o conceito de um twist final.

Claro que reviravoltas já existiam no cinema, mas o caso de O Sexto Sentido marcou uma evolução no terror. Antes da internet e do conceito de spoilers, a produção de Shyamalan fez do público seu parceiro, e criou um fenômeno de boca a boca que levou fãs ao cinema para entender o burburinho ao redor do segredo do filme.

Enquanto isto é o que torna O Sexto Sentido tão marcante, não é apenas nisso que o filme se sustenta. Funcionando primeiramente como um drama familiar, o suspense psicológico apresentou pela primeira vez o traço único de Shyamalan, criando um clima de assombração através do passo lento de sua câmera e de seus diálogos. O Sexto Sentido não poupa imagens marcantes ou sustos, mas seu maior elemento aterrorizante está no prolongamento das cenas. Tudo isso ainda se completa por Bruce Willis em um papel distante do seu familiar “cara durão”, Toni Collette incrível como sempre e o pequeno Haley Joel Osment, que marcou a história do cinema com a icônica frase “eu vejo pessoas mortas”.

A relevância do longa foi oficializada com seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhores Atuações Coadjuvantes de Haley Joel Osment e Toni Collette.

06/10 – Arraste-Me Para o Inferno

2009
Direção: Sam Raimi
Onde Assistir? Disponível digitalmente para streaming no catálogo do GloboPlay, e para compra/aluguel na PlayStation Network, Google Play, Looke e iTunes

A franquia Evil Dead é a maior contribuição de Sam Raimi para o terror mas, durante o início dos anos 2000, o cineasta se afastou do gênero para comandar a trilogia Homem-Aranha, com Tobey Maguire. Após o decepcionante Homem-Aranha 3 em 2007, Raimi sumiu dos holofotes e ensaiou um retorno ao universo que o consagrou. O resultado veio dois anos depois, chamado de Arraste-Me Para o Inferno.

O longa acompanha Christine (Alison Lohman), uma analista de crédito que, na tentativa de impressionar seu patrão, nega a extensão da hipoteca da senhora Ganush (Lorna Raver). A idosa, sentindo-se humilhada, amaldiçoa a jovem, atrelando sua alma a um poderoso demônio. Isso dá início à uma aterrorizante ameaça para Christine, que corre o risco de queimar no inferno por seus erros. Na obra é possível observar o estilo de Raimi em seu ápice, com um terror provocativo, escatológico e, claro, cheio de humor pastelão. É um filme bastante simples mas que cria uma mitologia intrigante ao mesmo tempo que testa a tolerância e estômago do espectador.

Nos dias de hoje, Arraste-Me Para o Inferno não tem o reconhecimento que merece mas, na época, teve um papel importante em colocar em movimento uma nova era de ouro de horror nos cinemas. O filme entregou uma bilheteria sólida, mostrando que havia espaço para ideias originais e para uma revitalização do terror apelativo. Mas a conquista mais importante do filme é sem dúvidas restaurar a confiança de Raimi como cineasta de gênero. Logo em seguida, ele reviveu sua criação original com um remake de Evil Dead em 2013, dirigido por Fede Álvarez, e desenvolver a série de TV Ash vs. Evil Dead, além de também assinar a produção-executiva de uma variedade de projetos de peso, como O Homem nas Trevas e Predadores Assassinos.

07/10 – Psicose

1960
Direção
: Alfred Hitchcock
Onde assistir? Disponível em streaming no Claro Vídeo e Telecine Play, para comprar digitalmente no Looke, e também em DVD no volume 1 da Coleção Hitchcock, da Universal Pictures, acompanhado de seis outros filmes

O Exorcista pode ser o ápice do terror, mas nenhuma obra da lista é tão popular e influente quanto Psicose. Naquele ponto, em 1960, Alfred Hitchcock já era o Mestre do Suspense, tendo comandado clássicos como Pacto Sinistro (1951), Janela Indiscreta (1954) e Um Corpo que Cai (1958), mas é contando os eventos de uma noite no Motel Bates que o diretor mostra que também sabe criar horror de peso e altíssimo nível.

A trama acompanha Marion Crane (Janet Leigh), uma secretária que aplica um golpe em seu patrão e foge com dinheiro. Em sua fuga criminosa durante uma noite chuvosa, ela é forçada a parar em um motel de estrada, comandado por Norman Bates (Anthony Perkins). Daí em diante, as coisas só ficam mais sombrias e violentas, algo que o público dos anos 60 não estavam preparando para encontrar tão graficamente no cinema. Psicose literalmente criou um novo padrão para horror visceral, ao ponto que sua icônica cena de assassinato – com sangue feito com xarope de chocolate – é parte integral da cultura pop.

Mesmo sendo tão reconhecível, Psicose é atemporal e continua uma experiência intensa até para sensibilidades modernas. Não importa saber o que está para acontecer, a forma como Hitchcock trabalha a tensão e prende o interesse do espectador é algo que poucos conseguiram fazer nos anos seguintes.

08/10 – Hereditário

2018
Direção:
Ari Aster
Onde Assistir? Disponível para streaming no Amazon Prime Video, e para compra/aluguel digital no Google Play e iTunes

O filme mais recente da lista também marca a estreia de Ari Aster na direção de um longa. Além disso, é um dos títulos mais polêmicos dos últimos anos. Seguindo a tendência do horror moderno que preza pela complexidade, o cineasta explora a ruptura de uma família tomada pelo luto. Ao ritmo que sua trama avança, fica mais e mais claro que também há influência de forças sobrenaturais.

Hereditário anda no seu próprio ritmo, entregando progressão agoniante que valoriza mais o emocional destruído de seus personagens do que algum tipo de ação ao espectador (ainda que os momentos finais compensam bastante esse aspecto). Esse terror de desconforto é exaltado ao intercalar drama familiar muito bem atuado com violência gráfica. É um filme único no gênero, e ainda mais especial por ter conseguido fazer sua voz ser amplamente ouvida na era do barulho incessante das franquias cinematográficas.

Assim como outros filmes dessa leva, como A Bruxa, Hereditário também foi alvo da cansativa discussão a respeito de ser ou não terror. A obra de Aster não só se encaixa perfeitamente no gênero com suas ameaças satânicas e metacomentário através do choque, como também o faz com qualidade de primeira e impacto imperdoável. É uma experiência memorável e traumatizante em medidas iguais, seja pelo uso de imagens horripilantes ou então pela poderosa atuação de Toni Collette. Não há dúvidas que Hereditário é um clássico moderno do horror.

09/10 – Tubarão

1975
Direção: 
Steven Spielberg
Onde Assistir? Disponível para streaming no Prime Video e Telecine Play e para compra e aluguel no Looke, Google Play e iTunes Store.

Há um longo e infinito debate ao redor do gênero de Tubarão, o clássico de Steven Spielberg, que brinca com os limites do terror e da aventura. E apesar de muitos chegarem a categorizar o longa como drama (ou até comédia), não há quem negue que o suspense de Tubarão é seu elemento mais memorável. Seria impossível lembrar de Tubarão sem ouvir as icônicas notas de John Williams ou reviver um dos maiores jump-scares do cinema, quando a criatura finalmente se revela para os protagonistas.

Tubarão retrata a ameaça de um animal em um resort de uma pacata cidade, e a subsequente caça da criatura por três homens: o chefe de polícia (Roy Scheider), um biólogo marinho (Richard Dreyfuss), e um caçador profissional (Robert Shaw). O filme alterna entre momentos de suspense absoluto, marcado pelo ponto de vista do animal sem revelar o seu físico, e no confronto direto entre os homens e sua presa, que marca o passo do terceiro ato do filme.

Os efeitos de Tubarão para o cinema são amplamente conhecidos: não apenas ele marcou como uma das maiores bilheterias da história (hoje ele é listado em 7º lugar entre maiores bilheterias ajustadas para a inflação) como ele estabeleceu a tática de lançamento de blockbusters de verão nos EUA, ampliando a exibição em diversos cinemas com uma estratégia de marketing pesada. Para o terror, seu peso é ainda mais claro. Do mesmo modo que muitos filmes da lista dão início a um novo medo no público, após o lançamento de Tubarão o medo do animal cresceu significantemente: no ano da estreia, pesquisas indicaram menor número de pessoas nas praias e um aumento no número de pessoas que registraram ter visto um tubarão.

O suspense criado por Spielberg na primeira metade do filme, que mantém a aparência do tubarão em segredo, também é citado como grande influência no terror slasher. A primeira cena, que mostra a diversão do público, a música crescente, e a primeira vítima do animal, é creditada como referência para Halloween, de John Carpenter, que seria lançado três anos mais tarde.

10/10 – Invocação do Mal

2013
Diretor:
James Wan
Onde Assistir? Disponível em mídia física; para streaming na Netflix; e para compra/aluguel na PlayStation Network, Google Play, iTunes, Looke e Microsoft Store

O terror comercial moderno é frequentemente alvo de críticas, muitas delas bastante válidas, mas isso não significa que não há valor em algumas das obras. Em 2013, quando a ideia de universos cinematográficos se limitava apenas à Marvel, o cineasta James Wan – já veterano de Jogos Mortais e Sobrenatural – importou o conceito para o horror. Assim surgiu o primeiro Invocação do Mal, um verdadeira fonte de ideias – e dinheiro – para a Warner Bros.

A trama é inspirada pelo casal de exorcistas Ed e Lorraine Warren, aqui vividos por Patrick Wilson e Vera Farmiga, e mostra um caso de assombração que a dupla enfrentou durante a década de 1970. O filme pode ser sim raso em sua narrativa, mas compensa bastante com uma pegada de “brinquedo de parque de diversões”, colocando um susto atrás do outro. Pode ser difícil conceber isso agora, visto que este universo já rendeu sete filmes (contando derivados) que tentam imitar a linguagem, mas a direção de Wan brilha em estabelecer a tensão de cada momento, brincar com as expectativas do público e também intercalar com pitadas de humor.

O maior foco em experiência do que conteúdo combinam muito bem com Wilson e Farmiga, que trazem dinâmica e química ao casal. Tudo isso misturado faz com que Invocação do Mal seja o primeiro procedural de horror dos cinemas, que atende bem tanto os espectadores veteranos em busca de cinema de gênero blockbuster quanto os novatos, que tiveram pouco contato com horror. Os derivados podem ter descarrilado ao passar dos anos, mas a franquia continuará funcionando enquanto a ideia seja entreter e assustar.

11/10 – O Babadook

Screen Australia/Divulgação

2014
Direção: Jennifer Kent
Onde assistir? Disponível em streaming na Netflix.

É impressionante como alguns dos maiores terrores que surgiram nos últimos anos vieram de diretores estreantes. Assim como A Bruxa, de Robert Eggers, e Hereditário, de Ari Aster, O Babadook marcou o primeiro longa da diretora Jennifer Kent, com estreia no Festival de Sundance em 2014. Entrando para a lista de filmes de terror que são dramas intensos, o longa conta a história de uma mãe viúva que ainda sofre com a morte de seu marido e seu filho exigente, quando um livro misterioso liberta um monstro em sua casa e domina sua vida.

Com uma direção certeira, O Babadook trabalha em uma construção de suspense que mantém o seu monstro no mistério, com poucas aparições e muita tensão, mas com belos sustos. Na realidade, o filme trabalha mais no psicológico da mãe e no aprofundamento de sua insanidade enquanto ela lida com a criatura, tornando um dos terrores mais claros em sua metáfora: Babadook é mais sobre trauma, depressão e maternidade do que um filme de assombração gratuito. Sua história é tão rica em representações que o monstro chegou até a virar um ícone LGBTQ+.

O terror australiano foi sucesso de crítica e considerado um dos melhores filmes de 2014, rendendo até elogios de um dos mestres do gênero, o diretor de O Exorcista, William Friedkin, que colocou a obra no mesmo patamar de Psicose e Alien. No Twitter, Friedkin agradeceu a diretora pelo seu trabalho: Obrigado pela experiência intensa com personagens verossímeis. Raro hoje em dia”.

12/10 – Jogos Mortais

2004
Direção: James Wan
Onde Assistir? Disponível digitalmente para aluguel/compra no iTunes, Claro Video, Microsoft Storee PlayStation Network

O terror passou por maus bocados no início dos anos 2000. Após a saturação de slashers das décadas anteriores, as produções de alto nível decaíram, e o horror de qualidade se encontrava mais em suspenses como os de M. Night Shyamalan. É nesse contexto que Jogos Mortais se torna tão interessante: interrompendo a onda dos thrillers com um terror sujo, cheio de violência e, inesperadamente, atingindo um sucesso estrondoso.

O filme, projeto universitário de James Wan com Leigh Whannell, segue a lógica de Caẽs de Aluguel e coloca toda a história para correr em um único lugar, se firmando na interação entre seus personagens e o cenário. Dois homens acordam acorrentados em lados opostos de um banheiro, sem saber como chegaram lá. No meio da sala, um cadáver com um toca-fitas avisando que tudo está prestes a ficar pior caso os dois não encontrem uma forma de sair dali. É uma premissa contida, intercalada por trechos do mundo exterior que narram uma investigação policial pelo assassino por trás das armadilhas. Dessa forma, o longa atende tanto o público fã de suspenses da época quanto quem sentia saudade de sangue.

Deixando de lado a noção de que a franquia se tornou cada vez mais absurda, o primeiro Jogos Mortais se mantém como terror independente de qualidade, que soube trabalhar tanto uma premissa boa em um orçamento minúsculo através de boa direção e escrita que combina mistério com violência suja e bruta. Além disso, também é uma daquelas poucas histórias de sucessos inusitados. O projeto fez cerca de US$100 milhões nas bilheterias, o que é ótimo considerando seu valor de produção de US$ 1,2 milhão.

13/10 – Carrie

1976
Direção: Brian De Palma
Onde Assistir? Disponível em streaming no Telecine Play e para compra/aluguel no iTunes.

Uma das maneiras admiráveis de fazer terror é levar a crueldade humana para a tela, e entre os filmes clássicos do gênero poucos fizeram isso tão bem quanto Carrie. A adaptação do primeiro conto de Stephen King, dirigida por Brian De Palma, funciona como terror em diversos níveis, mas seu principal elemento é fazer o público se relacionar com a sua protagonista, refletindo a maldade em quem ri dela, até o seu ato final, quando o espectador se vê forçado a se afastar ao testemunhar suas últimas consequências. Se isso não bastasse para tornar Carrie um dos filmes essenciais do terror, o longa traz a cena mais icônica de um baile de formatura, que já foi referenciada, copiada e parodiada diversas vezes no cinema.

Carrie (Sissy Spacek) é uma garota tímida e protegida do mundo por sua mãe (Piper Laurie), uma religiosa fanática, o que a torna um alvo fácil de bullying em sua escola. Desenvolvendo sua força através de poderes telecinéticos, Carrie impõe sua vingança quando é ridicularizada por seus colegas na formatura. Na trama, De Palma brinca com humor, suspense e terror em um mesmo filme, em pouco mais de 90 minutos.

Apesar de se sustentar com uma trama adolescente pela maior parte de sua duração, Carrie encontra o seu suspense na relação da garota com sua mãe, e ambienta um terror psicológico na casa das duas, onde tudo é escuro e recheado de símbolos religiosos. Mas é em seu final que De Palma transforma a história de Carrie em um terror inegável, e por mais distante que o estilo do filme esteja do terror atual, ele termina com um dos jump-scares mais memoráveis do cinema. O filme se torna grandioso também pelas performances marcantes de Spacek e Laurie – indicadas ao Oscar por suas atuações – e uma trilha sonora perfeita de Pino Donaggio.

Discutido por diversos motivos, Carrie funciona em tantos níveis que pode ser considerado um suspense, um humor sombrio e um filme sobre amadurecimento feminino que tem interpretações tanto feministas quanto seu completo oposto. Mas é esta complexidade que faz de Carrie um terror tão duradouro.

The Turning | Terror produzido por Spielberg ganha trailer com Finn Wolfhard

Filme mostra babá contratada para cuidar de órfãos em casa assombrada

Adaptação de A Volta do Parafuso, livro de Henry James, The Turning teve seu primeiro trailer divulgado. No vídeo, Kate (Mackenzie Davis) é uma baba contratada para cuidar dos irmãos Miles (Finn Wolfhard) e Flora (Brooklyn Prince), mas acaba se deparando com os vários terrores da casa em que as crianças moram – assista acima.

The Turning tem direção de Floria Sigismondi (Demolidor, The Handmaid’s Tale) e produção-executiva de Steven Spielberg. O longa estreia em 24 de janeiro nos Estados Unidos.

31 filmes de terror essenciais para assistir em outubro

Aproveite o mês de Halloween com uma obra do horror por dia

Cartaz de O Exorcista

O Halloween oficialmente só acontece nos últimos dias do mês mas, para os fãs de terror, outubro inteiro é motivo para celebração. Como parte do “ritual”, fãs criam e compartilham listas temáticas para ter conteúdo suficiente para todos os 31 dias. Pela primeira vez, o Omelete fará parte da tradição.

Esse ano, a temática escolhida será os filmes essenciais de terror ao longo da história. Todo dia, um novo título será adicionado à lista, e uma maratona é altamente encorajada – para quem quiser manter o acompanhamento do mês, basta seguir nossa lista no Letterboxd e ir marcando os filmes assistidos por lá.

Vale lembrar que há uma limitação de quantos filmes cabiam na lista, portanto o critério não foi só importância histórica mas também significado, reconhecimento e, claro, entretenimento aterrorizante. Nos comentários, a discussão continua com opiniões dos leitores e muitas outras recomendações sangrentas!

01/10 – O Exorcista

Regan possuída em O Exorcista
O Exorcista/Divulgação

1973
Direção
: William Friedkin
Onde assistir? Disponível digitalmente para comprar/alugar no iTunes, Looke e PlayStation Network

É possível que a lista de 31 filmes essenciais de terror entregue escolhas polêmicas que criem discórdia entre os leitores, mas se há um que não há discussão é O Exorcista. O filme de 1973, dirigido por William Friedkin e adaptado por William Peter Blatty a partir do seu livro homônimo, não existiria sem alguns filmes predecessores (alguns dos quais também serão citados na lista de outubro), mas ele marcou a história do cinema como o primeiro terror a ser indicado a melhor filme no Oscar, estabelecendo novas possibilidades para o gênero.

Surpreendendo o estúdio, que lançou O Exorcista em 24 salas de cinema inicialmente, o filme arrecadou uma impressionante bilheteria, que ajustada para inflação, é a maior na história de filmes de classificação para maiores, chegando próximo de US$1 bilhão. Tão marcante quanto sua arrecadação foi o rebuliço de público, com relatos de vômitos e desmaios nas exibições, e reações ainda mais absurdas (e nunca comprovadas) que incluem infartos e abortos. Isso não impediu que o filme fosse indicado a 10 categorias no Oscar, vencendo Melhor Roteiro e Mixagem de Som.

Seja pelo vômito de sopa de ervilha, a menina se arrastando de cabeça para baixo, a masturbação com crucifixo ou o famoso giro de pescoço, O Exorcista marcou o cinema com cenas icônicas, mas o seu ritmo e clima sinistro também são inesquecíveis. Citado como “o que 2001 – Uma Odisséia no Espaço é para a ficção científica”, ou “o que O Poderoso Chefão é para os filmes de máfia”, é difícil minimizar o legado de O Exorcista, que mudou filmes de possessão demoníaca para sempre.

02/10 – Suspiria

Jessica Harper em Suspiria, de Dario Argento
Suspiria/Divulgação

1977
Direção
: Dario Argento
Onde assistir? Disponível apenas em DVD pela DVD World, em edição com extras

Dario Argento é o mestre definitivo do horror!”, discute Ellen Page em uma cena de Juno – e ela não está errada. O diretor italiano deixou sua marca no terror mundial ao ajudar a popularizar o giallo – provocativos e estilosos filmes italianos de serial killer – ao lado de outros como Mario Bava e Lucio Fulci. A lista poderia facilmente ter Prelúdio para Matar (1975), Tenebrae (1982) ou Phenomena (1985), mas Suspiria talvez seja o maior exemplar da obra e técnica de Argento.

O filme acompanha Suzy (Jessica Harper), uma dançarina americana que se junta à uma prestigiada academia de dança alemã. Mas ao chegar, assassinatos e ocorrências estranhas indicam que a escola e suas diretoras escondem um segredo perverso. O que faz Suspiria elevar-se acima dos demais é que a narrativa fica em segundo plano, dando espaço à uma verdadeira exploração sensorial, com visual surrealista, que passa a impressão de um belíssimo pesadelo em neon, e desconfortáveis ruídos e barulhos ao lado da excelente trilha sonora feita pela banda Goblin. É um terror que brilha na experimentação do que é medo, provando que desconforto pode ser tão eficiente e marcante quanto os sustos.

Ao longo das quatro décadas após seu lançamento, Suspiria tornou-se um clássico cult, indo muito além da Itália. Em 2018 ganhou um remake pelo diretor Luca Guadagnino e estrelado por Dakota Johnson e Tilda Swinton. A nova versão é excelente e tem ótima trilha sonora por Thom Yorke mas, infelizmente, troca a estética de sonho que consagrou o original por maior foco narrativo, ainda que entregue um ótimo longa em seus próprios termos.

03/10 – O Massacre da Serra-Elétrica

Leatherface em O Massacre da Serra-Elétrica
O Massacre da Serra-Elétrica/Divulgação

1974
Direção
: Tobe Hooper
Onde assistir? Disponível digitalmente para compra/aluguel/exibição em streaming no catálogo do Looke, e em mídia física ao lado de três outros filmes de Tobe Hooper e extras como parte da coleção Obras Primas do Cinema

O subgênero de slasher teve seu ápice (e desgaste) na década de 1980, mas isso não significa que excelentes filmes do tipo não tenham sido feitos antes disso. Na verdade, o cinema italiano e alguns longas setentistas pavimentaram esse caminho. Assim, não haveria Freddy Krueger, Jason e inúmeros outros assassinos descontrolados se não fosse por Leatherface.

O Massacre da Serra Elétrica é um divisor de águas. Histórias de horror da época costumavam ocorrer em locais isolados, mas o diretor e roteirista Tobe Hooper traz o medo para o coração dos Estados Unidos, acompanhando um grupo de jovens durante uma viagem, caindo na mão de uma surtada família texana e sendo perseguidos por um maníaco vestindo um rosto de pele humana costurada e carregando uma motosserra. Em termos de produção é um caso ainda mais impressionante, por ter sido feito com pouca grana (algo entre US$80 mil e US$100 mil) e atores inteiramente desconhecidos. O resultado, conquistado através de ótima direção e controle da tensão, é uma jornada sobre a natureza da violência e insanidade. De quebra, teve mais de US$30 milhões de bilheteria e ajudou a catapultar o slasher nos EUA e no mundo.

Pela ótica moderna – especialmente após a popularização do torture porn de Jogos Mortais e O Albergue -, o filme até “pega leve” na sua violência gráfica, que marca presença moderada. Mas o que torna um clássico atemporal é justamente o fato de que Hooper trabalha a brutalidade de Leatherface com certa sutileza, optando por mostrar pouco e deixar a mente do espectador completar os detalhes grotescos. Essa visão, é claro, não se aplica ao público da época: sua sanguinolência era absurda nos anos 70 que causou desistências nas salas de cinema pelo nojo, banimentos em países como o Brasil e, supostamente, sessões que distribuíam sacos para vômito junto com os ingressos.

04/10 – A Bruxa

A Bruxa
A Bruxa/RT Features/Divulgação

2015
Direção
: Robert Eggers
Onde assistir? Disponível digitalmente para comprar/alugar no iTunes, Google PlayLooke PlayStation, e também lançado em DVD no Brasil

Até agora, a lista dos filmes essenciais de terror focou em clássicos que surgiram nos anos 70, mas não é preciso retornar tanto ao passado para citar filmes que marcaram o gênero. Um dos mais recentes que não poderia ficar de fora é A Bruxa, estreia de Robert Eggers na direção e roteiro de um longa, e de Anna Taylor-Joy nos cinemas. Contando a história de uma família profundamente cristã na Nova Inglaterra em 1630, isolada de sua comunidade e atormentada por forças malignas, A Bruxa é um exemplo atual de construção de tensão, ritmo e maestria técnica.

Já se distanciando do terror mainstream de sua época, A Bruxa chama atenção por uma atenção impressionante aos detalhes, desde os costumes religiosos da época até um vocabulário arcaico, que entrega um realismo imediato. A captura de uma assombração tão primordial como a bruxa e o retrato cru do colapso espiritual de uma família são, neste contexto, perfeitamente eficazes. O estudo de ambientação feito por Eggers e sua equipe levaram o comprometimento das produções a um outro patamar.

A construção de suspense com poucos sustos também é memorável. Focando na crescente tensão entre os membros da família, o filme transmite a sensação de sufoco através do retrato do impacto do fundamentalismo religioso, e cria um desconforto marcante mostrando o difícil amadurecimento de uma jovem mulher neste ambiente. Com um elenco absolutamente impecável (a família é completa por performances inesquecíveis de Ralph Ineson como o pai e Kate Dickie como a mãe), A Bruxa é um dos maiores exemplos de um novo clássico do terror.

05/10 – O Sexto Sentido

1999
Direção: M. Night Shyamalan
Onde assistir? Disponível em streaming na Netflix e para comprar/alugar no iTunes, Google Play, Looke e PlayStation, e também lançado em DVD no Brasil

1999 é um ano inesquecível para o cinema e para o terror, e um dos motivos para isso foi a estreia de O Sexto Sentido. O longa que lançou a carreira de M. Night Shyamalan pode ser relembrado por inúmeros elementos, mas o que o introduz à lista de filmes essenciais de terror é imediato: a revolução da expectativa do público e o conceito de um twist final.

Claro que reviravoltas já existiam no cinema, mas o caso de O Sexto Sentido marcou uma evolução no terror. Antes da internet e do conceito de spoilers, a produção de Shyamalan fez do público seu parceiro, e criou um fenômeno de boca a boca que levou fãs ao cinema para entender o burburinho ao redor do segredo do filme.

Enquanto isto é o que torna O Sexto Sentido tão marcante, não é apenas nisso que o filme se sustenta. Funcionando primeiramente como um drama familiar, o suspense psicológico apresentou pela primeira vez o traço único de Shyamalan, criando um clima de assombração através do passo lento de sua câmera e de seus diálogos. O Sexto Sentido não poupa imagens marcantes ou sustos, mas seu maior elemento aterrorizante está no prolongamento das cenas. Tudo isso ainda se completa por Bruce Willis em um papel distante do seu familiar “cara durão”, Toni Collette incrível como sempre e o pequeno Haley Joel Osment, que marcou a história do cinema com a icônica frase “eu vejo pessoas mortas”.

A relevância do longa foi oficializada com seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhores Atuações Coadjuvantes de Haley Joel Osment e Toni Collette.

06/10 – Arraste-Me Para o Inferno

2009
Direção: Sam Raimi
Onde Assistir? Disponível digitalmente para streaming no catálogo do GloboPlay, e para compra/aluguel na PlayStation Network, Google Play, Looke e iTunes

A franquia Evil Dead é a maior contribuição de Sam Raimi para o terror mas, durante o início dos anos 2000, o cineasta se afastou do gênero para comandar a trilogia Homem-Aranha, com Tobey Maguire. Após o decepcionante Homem-Aranha 3 em 2007, Raimi sumiu dos holofotes e ensaiou um retorno ao universo que o consagrou. O resultado veio dois anos depois, chamado de Arraste-Me Para o Inferno.

O longa acompanha Christine (Alison Lohman), uma analista de crédito que, na tentativa de impressionar seu patrão, nega a extensão da hipoteca da senhora Ganush (Lorna Raver). A idosa, sentindo-se humilhada, amaldiçoa a jovem, atrelando sua alma a um poderoso demônio. Isso dá início à uma aterrorizante ameaça para Christine, que corre o risco de queimar no inferno por seus erros. Na obra é possível observar o estilo de Raimi em seu ápice, com um terror provocativo, escatológico e, claro, cheio de humor pastelão. É um filme bastante simples mas que cria uma mitologia intrigante ao mesmo tempo que testa a tolerância e estômago do espectador.

Nos dias de hoje, Arraste-Me Para o Inferno não tem o reconhecimento que merece mas, na época, teve um papel importante em colocar em movimento uma nova era de ouro de horror nos cinemas. O filme entregou uma bilheteria sólida, mostrando que havia espaço para ideias originais e para uma revitalização do terror apelativo. Mas a conquista mais importante do filme é sem dúvidas restaurar a confiança de Raimi como cineasta de gênero. Logo em seguida, ele reviveu sua criação original com um remake de Evil Dead em 2013, dirigido por Fede Álvarez, e desenvolver a série de TV Ash vs. Evil Dead, além de também assinar a produção-executiva de uma variedade de projetos de peso, como O Homem nas Trevas e Predadores Assassinos.

07/10 – Psicose

1960
Direção
: Alfred Hitchcock
Onde assistir? Disponível em streaming no Claro Vídeo e Telecine Play, para comprar digitalmente no Looke, e também em DVD no volume 1 da Coleção Hitchcock, da Universal Pictures, acompanhado de seis outros filmes

O Exorcista pode ser o ápice do terror, mas nenhuma obra da lista é tão popular e influente quanto Psicose. Naquele ponto, em 1960, Alfred Hitchcock já era o Mestre do Suspense, tendo comandado clássicos como Pacto Sinistro (1951), Janela Indiscreta (1954) e Um Corpo que Cai (1958), mas é contando os eventos de uma noite no Motel Bates que o diretor mostra que também sabe criar horror de peso e altíssimo nível.

A trama acompanha Marion Crane (Janet Leigh), uma secretária que aplica um golpe em seu patrão e foge com dinheiro. Em sua fuga criminosa durante uma noite chuvosa, ela é forçada a parar em um motel de estrada, comandado por Norman Bates (Anthony Perkins). Daí em diante, as coisas só ficam mais sombrias e violentas, algo que o público dos anos 60 não estavam preparando para encontrar tão graficamente no cinema. Psicose literalmente criou um novo padrão para horror visceral, ao ponto que sua icônica cena de assassinato – com sangue feito com xarope de chocolate – é parte integral da cultura pop.

Mesmo sendo tão reconhecível, Psicose é atemporal e continua uma experiência intensa até para sensibilidades modernas. Não importa saber o que está para acontecer, a forma como Hitchcock trabalha a tensão e prende o interesse do espectador é algo que poucos conseguiram fazer nos anos seguintes.

08/10 – Hereditário

2018
Direção:
Ari Aster
Onde Assistir? Disponível para streaming no Amazon Prime Video, e para compra/aluguel digital no Google Play e iTunes

O filme mais recente da lista também marca a estreia de Ari Aster na direção de um longa. Além disso, é um dos títulos mais polêmicos dos últimos anos. Seguindo a tendência do horror moderno que preza pela complexidade, o cineasta explora a ruptura de uma família tomada pelo luto. Ao ritmo que sua trama avança, fica mais e mais claro que também há influência de forças sobrenaturais.

Hereditário anda no seu próprio ritmo, entregando progressão agoniante que valoriza mais o emocional destruído de seus personagens do que algum tipo de ação ao espectador (ainda que os momentos finais compensam bastante esse aspecto). Esse terror de desconforto é exaltado ao intercalar drama familiar muito bem atuado com violência gráfica. É um filme único no gênero, e ainda mais especial por ter conseguido fazer sua voz ser amplamente ouvida na era do barulho incessante das franquias cinematográficas.

Assim como outros filmes dessa leva, como A Bruxa, Hereditário também foi alvo da cansativa discussão a respeito de ser ou não terror. A obra de Aster não só se encaixa perfeitamente no gênero com suas ameaças satânicas e metacomentário através do choque, como também o faz com qualidade de primeira e impacto imperdoável. É uma experiência memorável e traumatizante em medidas iguais, seja pelo uso de imagens horripilantes ou então pela poderosa atuação de Toni Collette. Não há dúvidas que Hereditário é um clássico moderno do horror.

O Grito | Como Takashi Shimizu reinventou a franquia ao longo das décadas

Criador esteve diretamente envolvido em boa parte dos projetos – até mesmo nos remakes norte-americanos

Fantasma Kayako em Ju-On: O Grito, de Takeshi Shimizu

Enquanto o terror norte-americano passava por maus bocados na virada do milênio, o cinema de gênero japonês triunfava com um horror recheado de comentário social, tradições culturais e, claro, bastante sangue. Entre Ringu: O Chamado (1998), Audition (1999), Batalha Real (2000), Kairo (2001), entre muitos outros, o mundo passou a apreciar a criatividade e brutalidade que faziam falta nas produções de grande porte dos Estados Unidos. O movimento de horror nipônico foi perdendo sua força internacional com o passar dos anos, mas algumas franquias souberam se reinventar para ganhar um fôlego a mais, mas nenhuma acertou tão bem quanto O Grito.

A longevidade da série está diretamente relacionada à insistência de seu criador, Takashi Shimizu, e também à utilização do folclore japonês, especialmente dos onryõ, espíritos vingativos que, após uma morte violenta, amaldiçoam os lugares onde foram assassinados. Mesmo em filmes televisivos de 1998, Shimizu já explorava ideias, personagens e principalmente assombrações que definiriam a saga no futuro.

Terror doméstico

A popularidade do VHS é importante para entender o crescimento do terror no mundo todo, e isso se repete no Japão, já que o país costuma ter uma visão bem mais positiva de obras lançadas diretamente para home video – chamados de V-Cinema por lá. Assim grandes cineastas nipônicos frequentemente optavam por lançar criar obras do tipo, desenvolvendo sua técnica com baixos orçamentos e um público muito mais receptivo.

O Grito começou assim. Em 2000, Shimizu expandiu as ideias de seus telefilmes com Ju-On: The Curse, mostrando um grupo de pessoas ligadas à uma casa onde brutais assassinatos ocorreram, com o local sendo tomado por fantasmas e também pela presença da morte. O filme foi um sucesso tão grande que não só rendeu uma continuação em V-Cinema no mesmo ano, como também preparou o terreno para algo maior. O cineasta colocou seu conhecimento a prova em 2002 e 2003, quando chegou aos cinemas com Ju-On: O Grito e a sequência Ju-On 2.

Mesmo com um orçamento maior, Shimizu mantém seu estilo de histórias não-lineares, atmosfera opressiva e criaturas invasivas. Eventualmente isso chamou a atenção dos Estados Unidos, onde teve lançamentos limitados mas com boa recepção e retorno financeiro. Como esperado, era só questão de tempo até o inevitável remake americano.

Repaginada internacional

A loucura dos remakes já era amplamente praticada no terror dos anos 2000. Depois da reimaginação de O Chamado (2002) fazer sucesso nos EUA, foi a vez de O Grito ser importado para o país, mas com um grande diferencial. Ao invés do estúdio Columbia Pictures escolher um diretor americano, foi o próprio Shimizu que assumiu o posto. A versão de 2004, estrelada por Sarah Michelle Gellar (Buffy, a Caçadora de Vampiros), consagrou que o cineasta estava confortável assumindo tanto projetos de baixo orçamento, quanto grandes produções, rendendo bilheteria mundial de US$ 187 milhões e gerando duas continuações.

Após isso, o diretor se afastou um pouco da sua franquia, que continuou no Japão com uma grande variedade de projetos, incluindo um filme com a fantasma Kayako enfrentando Sadako, de O Chamado. Agora, O Grito ensaia um retorno norte-americano para 2020 – mas sem o envolvimento de seu criador. Felizmente quem cuida do projeto é Sam Raimi e Robert Tapert, dupla responsável por Evil Dead e, recentemente, produzir uma leva de projetos de terror, como O Homem nas Trevas (2016)e Predadores Assassinos (2019).

Shimizu, por sua vez, continuou se dedicando ao gênero de terror e passou a desenvolver sua técnica através de filmes e até jogos, indo desde comandar longas como Innocent Curse (2017) até produzir animações 3D como Resident Evil: A Vingança (2017). Atualmente o diretor trabalha em um novo horror japonês com Howling Village (2020), que acompanhará uma psiquiatra capaz de se comunicar com os mortos de uma vila amaldiçoada. O projeto ainda não teve muitos detalhes divulgados até o momento mas, em dezembro, Takashi Shimizu virá ao Brasil para a CCXP19, onde deve falar mais sobre seus trabalhos futuros e também sobre sua longa carreira e experiência com O Grito e terror nipônico.