Arquivo da categoria: Séries

Orange Is the New Black – 7ª temporada | Crítica

Uma das maiores veteranas da Netflix chega ao fim cercada de homenagens e melancolia

Orange Is the New Black - 7ª temporada

Séries prisionais não são necessariamente um filão da teledramaturgia. Temos alguns títulos importantes como Oz e Prison Break, mas entre algumas tentativas falhas e poucos sucessos, a abordagem da rotina dentro de um presídio – quando acontecia – era sempre para retratar os horrores que os prisioneiros passavam todos os dias. Oz, por exemplo, foi uma série que antecedeu a grande transformação criativa promovida por The Sopranos (embora também fosse da HBO); e mesmo que tivesse um tom de crônica, era uma série tomada de violência e visceralidade. Era uma abordagem óbvia, claro. O que mais uma prisão poderia ter a oferecer? Seria possível encontrar otimismo e leveza numa narrativa assim?

A proposta de Orange is the new Black não tinha a menor intenção de pintar uma cadeia somente com cores claras, mas era uma proposta inesperada, ligeiramente cômica, que mesmo reforçando com um texto elegante o drama de cada uma das detentas, não perdia a oportunidade de cavucar ternura entre um corte e outro. Prisões, como um todo, são um território de abordagem criminosa que no caso dos homens toca em questões instintivas, sócio-políticas e egocêntricas; transferidas para a televisão com sangue e tensão em todos os casos. Orange nunca esqueceu-se da vaidade e do ego, mas aproveitou sua voz para falar de problemas que cercam as mulheres prisioneiras na forma de machismo, preconceito e abuso.

A premissa da série – a chegada de Piper (Taylor Schilling) ao presídio – ajudava na flexibilização dos níveis dramáticos da produção. Piper era uma patricinha apaixonada que acabou indo parar na cadeia num desvio impensado. Branca e privilegiada, a personagem se via fazendo uma curva imprevista no destino de todos que nascem como ela. Sem cair na fórmula quase irresistível do “rico num ambiente pobre”, a série apostou nas discrepâncias do mundo de Piper sim, mas ficou claro muito cedo que aquela era uma produção que queria falar sobre as mulheres, sobre muitos e muitos tipos delas, vindas de muitas histórias, cheias de muitos sonhos. Então, com variações de foco a cada temporada, Orange foi seguindo com um time central que passou a ser adorado no mundo todo. 

O nova Orange

Mesmo que se trate de uma comédia, Orange is the New Black se passa numa prisão e esse é o primeiro e grande obstáculo que impede as expectativas de final feliz. Quando o primeiro episódio da temporada começa, o roteiro já vai nos deixando claro que evidentemente a felicidade encontrará algumas detentas. Mas, na maioria dos casos, o único final possível é a interrupção da narrativa. Algumas cairão, outras se levantarão; e com várias delas a história vai continuar, ali naquela mesma rotina, apenas deixando de ser “contada em voz alta”. É uma percepção entristecida, que nos atinge assim que revisitamos as vidas de Piper e Taystee (Danielle Brooks), aquelas que são, enfim, as duas principais costuras do último ano.

Piper saiu no final da temporada passada. A liberdade, contudo, não é sinal de problemas resolvidos para nenhuma delas. Depois de passar alguns anos fora do convívio em sociedade, Piper descobre que não existe mais sociedade para ela. A família a trata como uma estranha inconveniente e os amigos como uma atração de circo. Ela sente falta de Alex (Laura Prepon) e luta para se manter em empregos. É uma temporada em que Taylor continua enfrentando o senso comum de que sua personagem é chata e desinteressante, mas é onde seu trabalho também está mais consistente. A vida de Piper era desajustada na prisão e fica ainda mais fora dela. É impossível não ser empático ao extremo esforço que ela faz para não deixar que o mundo externo se torne seu grande inimigo, o que, quase sempre, resulta na autosabotagem que leva algumas delas de volta para a detenção.

Isso foi o que aconteceu com Taystee, por exemplo. A última temporada é tão cruel com ela quanto com Piper. Taystee foi traída por Cindy (Adrienne Moore), condenada por um crime que não cometeu e entre apelações e pressões, se debate para não perder seu notório otimismo. Danielle está incrível em cena; e os roteiros compreendem a ambiguidade de sua posição depois de ter sido condenada. Sem Caputo (Nick Sandow) por perto, ela passa a trabalhar para Tamika (Susan Heyward), a guarda que era sua amiga de adolescência e que – numa virada repentina – passa a ser a diretora da prisão. Taystee é esmagada pela lentidão e pela burocracia do sistema, sofre intensamente a perda de todas as suas referências e ainda assim, passa toda a temporada afetando positivamente quem está em volta. Quando pensamos nela nas primeiras temporadas fica ainda mais fascinante notar como ela acabou se tornando uma das figuras mais importantes da série.

Talvez, contudo, o maior acerto dessa última temporada esteja na sufocante narrativa da imigração. Quase todas as personagens que conhecemos não vestem mais aquela roupa laranja que também serviu para o título. Foi interessante ver que o “Orange” passa a ser novamente uma cor diferencial para a série, quando toda uma área é reservada para receber imigrantes ilegais nos EUA. A questão é que na era pós-Trump mesmo que você tenha nascido nos EUA, se for de alguma origem estrangeira, está colocado no mesmo saco. Os roteiristas discorrem a temática com extrema franqueza, quase nos socando com plots que incluem alguém sendo detido numa boate por ter esquecido uma simples identidade e sendo deportado para a América do Sul sem nunca nem ter pisado lá. É esmagador. A narrativa de Blanca (Laura Gomez) está situada nesse lugar, junto com todo um ótimo time de novas personagens e uma conclusão tão acachapante quanto.

A falta de ritmo nas temporadas de Orange se deve, em grande parte, à decisão de ter 13 episódios com 50 minutos cada um. Apesar de estarmos no último ano o problema rítmico se mantém em evidência, com os primeiros episódios sendo um pouco mais arrastados. A direção, contudo, se esmera em reforçar o aspecto dramático que tantas despedidas exigem e uma quantidade admirável de ótimas “sequências de final de episódio” enfeitam a temporada com uma trilha sensível e delicada. Seja por causa da disponibilidade de atores ou não, mais uma vez alguns personagens somem e se desvalorizam nessas últimas horas. Não há nada no nível de negligência de Sophia (Laverne Cox), mas é um pouco decepcionante ver alguns personagens promissores ficando pelo caminho.

Em tempos de encerramentos de séries sendo traumáticos para o público, o trabalho em Orange era preocupante justamente pela quantidade imensa de destinos a serem resolvidos. Em retrospectiva, o resultado acabou sendo satisfatório. Enquanto trajetórias como a de Daya (Dascha Polanco) teriam que ser revistas desde muito tempo para serem coesas em qualquer alteração (e Daya se tornou, enfim, o câncer do presídio), a solução para o final de Red (Kate Mulgrew), por exemplo, incomoda justamente por parecer espontânea demais. Há uma extrema coerência nos resultados para Lorna (Yael Stone), Cindy, Doggett (Taryn Manning), Nicky (Natascha Lyonne, sempre sofrendo por amor), Gloria (Selenis Levya) e até Aleida (Elizabeth Rodrigues). Mas, embora não seja incorreto, é difícil ver Suzanne (Uzo Aduba) cuidando de galinhas a temporada inteira, para ser relevante apenas numa sequência profundamente emocional já no último episódio (e que cena!).

As galinhas, aliás, são algumas das homenagens da temporada. Há velhos rostos que retornam e momentos que referenciam o que a série teve de melhor. Curiosamente, está em personagens que cresceram e se redimiram o grande poder dessa despedida. A relação tóxica entre Alex e Piper (que permanece sendo incapaz de se esclarecer aos olhos da própria criadora da série) perde de mil para a relação entre Caputo e Figueroa (Alysia Reiner), que começou nos piores termos, mas que se fortaleceu de uma forma muito carismática. Ele próprio – que abre um curso de confrontamento psicológico – faz autoavaliações importantíssimas com relação ao machismo com o qual agiu durante os primeiros anos. Há uma tentativa constante de corrigir comportamentos trágicos, mas muitas vezes o trágico precisa existir para que mudanças sejam promovidas. Então, é reconfortante que a série não tenha apelado para grandes espetáculos e que toda a belíssima ação final da temporada tenha sido cortantemente humana. Danielle Brooks explode em cena, fazendo de Taystee a representação mais exata da luta constante de uma detenta, perdida entre viver para ser livre ou simplesmente buscar outro – e cruel – tipo de liberdade.

Enfim, quando a tela escurece alaranjada pela última vez, a mistura de emoção e reflexão é quase palpável. Alguns finais nos fazem sorrir, outros nos incomodam, desagradam. Mas, todos eles vem de uma única certeza: a vida quer o melhor, mas nem sempre é isso que ela pode dar. Orange is the new Black tropeçou várias vezes, mas em suas duas últimas temporadas conseguiu respeitar a própria gênese e reverenciar aquelas mulheres com todo o respeito que elas merecem. E elas merecem. Ainda fica a dor por aquelas que não pudemos salvar, mas toda boa dramaturgia é feita disso: alegria e pesar por quem não existe de fato, mas que sentimos através da força de tudo que é invisível.

Orange is the New Black

Orange is the New Black

Lá no alto das Nuvens, livro de Paul McCartney, ganhará animação na Netflix

O músico se disse animado em trabalhar com o serviço de streaming

Lá no alto das Nuvens, livro de Paul McCartney, ganhará animação na Netflix

Lá no alto das Nuvens, o livro infantil escrito por Paul McCartney, vai virar uma animação pela Netflix. De acordo com o The Wrap, o longa terá produção do estúdio Gaumont e será dirigido por Timothy Reckart, animador de Anomalisa, com um roteiro de Jon Croker, que escreveu os dois longas do ursinho Paddington.

Escrito por McCartney em parceria com Philip Ardagh e ilustrado por Geoff Dunbar em 2005, Lá no alto das Nuvens acompanha a jornada de Serelepe, uma esquilo que parte em busca de uma terra encantada chamada Animália após a destruição da floresta em que mora. O Beatle se disse animado em trabalhar com a Netflix e ressaltou que “sempre amei filmes animados e esse é um projeto de grande paixão para mim.”

Ainda não há previsão para a estreia de Lá no alto das Nuvens.

Big Little Lies – 2ª temporada | Crítica

Série retorna com menos história para contar e guarda o melhor para o final

Foto de Big Little Lies

Big Little Lies foi lançada em 2017 como uma minissérie inspirada no livro de Liane Moriarty. Por isso foi surpreendente quando a HBO anunciou que a produção teria um segundo ano. Claro, o sucesso das tramas de Madeline, Celeste, Jane, Renata e Bonnie era um grande indicativo de renovação, mas a fonte principal de histórias já tinha acabado e ficou a dúvida de como o canal abordaria a questão. Infelizmente, esse foi o grande ponto fraco dos novos episódios.

Logo no começo ficou claro que Big Little Lies não tinha uma grande história para desenvolver. Os primeiros episódios da temporada seguem um caminho mais lento, mostrando principalmente os traumas das “Cinco de Monterrey” após a morte de Perry. Desde Celeste, até Renata, cada uma é afetada e lida com isso do seu próprio modo. Somado a isso está a chegada de Mary Louise Wright, mãe de Perry, interpretada por Meryl Streep.

A adição é um dos pontos positivos da temporada, embora muitas vezes seja difícil decifrar quem realmente é Mary Louise, algo sentido também pelas personagens.  A linguagem corporal de Streep entrega a figura de uma avó frágil e sentida pela morte do filho, enquanto suas palavras ríspidas e completamente sinceras apontam para uma figura de perigo. É redundante falar o quanto Streep brilha no papel, mas a impressão que fica é que os roteiristas tiveram dificuldade em definir uma personalidade para Mary Louise, deixando-a sempre no meio do caminho e com um ar de mistério que permanece até o episódio final.

Ao se propor a falar do trauma de cinco personagens, Big Little Lies também teve um problema em dividir o tempo de tela. Foi necessário dar mais espaço a Bonnie, por exemplo, por conta de seu envolvimento na morte de Perry, mas isso tirou tempo de desenvolver Jane, Ziggy e as demais crianças. Enquanto os trailers indicavam que o personagem de Iain Armitage confrontaria a mãe e teria um tipo de revolta com a figura do pai, isso é mostrado em momentos extremamente pontuais. Renata também tem menos tempo em tela, mas Laura Dern brilha nas grandes cenas que são dadas a ela, culminando em uma verdadeira catarse no episódio final. O mesmo acontece com Madeline que, ao invés de lidar com os erros dos outros, precisa entender seus próprios sentimentos e repensar atitudes para salvar seu casamento.

Rompendo o ciclo do trauma

Apesar de ser uma pena ver alguns nomes perdendo espaço, isso resulta em algo positivo: as tramas de Bonnie e Celeste que, de forma curiosa, tratam da mesma coisa. Rapidamente é estabelecido que a personagem de Nicole Kidman tem dificuldades em lidar com o luto. Ela amava Perry e sente falta dele, mas as lembranças boas se misturam com as agressões, criando um bolo de emoções difícil de lidar. Por outro lado, Bonnie lida com a culpa de ter feito e escondido o que fez, enquanto sua mãe entra na história e revela um passado violento, com o qual ela não consegue lidar naquele momento.

Olhando para os dois exemplos, Bonnie deixa claro que sua reação violenta foi resultado de traumas causados pela mãe, enquanto Celeste luta diariamente para que seus filhos não repitam e normalizem o comportamento violento de Perry. Ao fazer isso, Big Little Lies deixa os carros de luxo e paisagens lindas de Monterrey em segundo plano, para focar nas relações familiares e no quanto elas podem ser destrutivas. Bonnie é produto de uma violência e a próxima geração de crianças pode sofrer o mesmo.

A série escolhe o lado otimista para finalizar sua trama, embora o caminho para isso não seja fácil. Como Celeste repetiu várias vezes no tribunal, as “Cinco de Monterrey” entraram em um processo de cura de tudo o que aconteceu com elas e isso rompe o ciclo de traumas, um tema importantíssimo de ser tratado nos dias atuais. Ao invés de descontar nos filhos e culpa-los, como Mary Louise fez em seu passado, Madeline, Celeste, Jane, Renata e Bonnie decidem se tornar pessoas melhores. Ao falar de seus traumas e fazer um esforço para superá-los, com ajuda de terapia, amigos e família, as personagens finalmente evoluem no episódio final, deixando as mentiras para trás e abrindo caminho para um futuro feliz.

Em fevereiro deste ano, David E. Kelley, criador do seriado, disse que não há planos para uma terceira temporada, algo que pode incomodar os fãs após o gancho deixado pela cena final. Apesar disso, a despedida de cada personagem foi mais do que justa: Madeline mudou seu relacionamento com Ed para melhor; Celeste começou o lento processo para se curar de Perry; Jane se abriu para o amor; Renata começou a seguir seu próprio caminho e Bonnie, após muito suspense, tomou a decisão certa para ficar com a consciência tranquila.

Pode ser que a HBO mude de ideia e surpreenda os fãs novamente com um terceiro ano. Mas mesmo que isso não aconteça, Big Little Lies termina aqui deixando a positiva mensagem de que é possível sim se curar de algo ruim, e que um trauma não precisa definir sua vida. O processo de cura e de encarar o que te quebrou um dia é triste e lento, mas há algo muito melhor esperando lá na frente.

Big Little Lies Em andamento (2017- )

Criado por: David E. Kelley

Duração: 2 temporadas

The Witcher | Vídeos introduzem Geralt, Yennefer e Ciri; confira

Série estreia na Netflix em 20 de dezembro

A Netflix revelou três novos featurettes de The Witcher, focando na apresentação dos protagonistas. O primeiro, que apresenta o personagem de Henry Cavill, Geralt de Rivía, pode ser conferido acima. No vídeo, Cavill descreve seu personagem como um mutante, diz que ele tem um humor ácido, e explica as forças do destino.

Nos vídeos abaixo é possível conferir também as apresentações das personagens de Ciri (Freya Allan) e  Yennefer (Anya Chalotra):

A primeira temporada estreia em 20 de dezembro na Netflix e o segundo ano é previsto para 2021, com oito episódios.

Fugitivos ganha crossover com Manto e Adaga em fotos da 3ª temporada

Temporada final também teve pôsteres de personagens divulgados

A terceira e última temporada de Fugitivos teve vários pôsteres de personagem divulgados pelo Hulu. Além disso, a série da Marvel também ganhou fotos que mostram o crossover com Manto e Adaga. Veja abaixo [via Entertainment Weekly].

1 de 8

Fugitivos acompanha adolescentes que se unem para deter uma organização maligna administrada por seus pais. No terceiro ano, os fugitivos estão à procura de seus amigos capturados, Chase, Gert e Karolina. Os jovens enfrentam um inimigo que faz de Leslie – e a criança que ela carrega – seu alvo. Nico os atrai para um reino sombrio onde sua comandante, Morgan le Fay (Elizabeth Hurley), é muito mais cruel do que qualquer um que os fugitivos já enfrentou.

A terceira e última temporada de Fugitivos estreia em 13 de dezembro.

La Casa de Papel – 3ª Parte | Crítica

O fenômeno La Casa de Papel retorna para cumprir a função pela qual foi prolongada: entreter

Pôster de La Casa de Papel

Não é incomum ver fãs sendo contraditórios quando o assunto são as sequências. Em parte, o desejo de não ver histórias parando de serem contadas é grande, ao passo em que muitas vezes quando os estúdios decidem continuar ampliando aquele universo, nem sempre conseguem gerar boas expectativas. São sentimentos conflitantes. Nos apegamos aos personagens, à história, aos conflitos… Os estúdios se apegam aos números, ao sucesso, à oportunidade de manter em evidência a fonte não só de dinheiro, mas de prestígio e notoriedade.

O sucesso de La Casa de Papel no mundo todo pegou seus produtores de surpresa, mas a decisão da Netflix em ressuscitar a produção não surpreendeu ninguém. Era praticamente inevitável e isso trouxe perguntas importantes: Haveria um novo roubo? Esse roubo seria de outra casa da moeda? Entraríamos em outra Casa de Papel? Quando estamos falando de uma história que se resolve naturalmente, que conta um período extremo, imaginar uma revisitação desses códigos parece imprudente. Queríamos ver La Casa de Papel contando mesmo com a ambiguidade entre esperar mais e esperar o mesmo. O trabalho do criador Alex Pina era encontrar um equilíbrio que fosse competente em contar a mesma história sem soar repetitivo.

O resultado foi igualmente ambíguo. A terceira parte da trajetória de La Casa de Papel é um reencontro com tudo que a fez ser um sucesso no ano passado, uma reprodução quase exata dos mesmíssimos códigos. Mas, ao mesmo tempo, existe um nível de competência nessa reprodução que precisa ser reconhecido. Ágil, nervosa, esperta, a série voltou com muito mais investimento, com muito mais poder; e os envolvidos são bastante sinceros no que diz respeito à razão pela qual o trabalho recomeçou: o público queria mais de tudo aquilo que tinha acabado de ver. Pina, então, deu ao público exatamente o que ele queria. A parte 3 de La Casa de Papel já é um grande exemplo de que nem todo fan service é ruim.

Anarquia Dourada

Obviamente aconteceu agora o que também aconteceu no ano anterior: a Netflix produziu um número de episódios e desmembrou-os em duas partes. A parte 3 chegou à plataforma no dia 19 de julho e a quarta (e provavelmente derradeira) deve chegar ao serviço ainda esse ano. O que temos nesses primeiros episódios da parte 3 é uma missão de reintegração da mitologia da série. Na última vez que vimos os personagens eles estavam separados, desfrutando a riqueza, em diferentes partes do mundo. O trabalho dos roteiros era encontrar soluções para que todo o grupo se reencontrasse, de forma coerente; além de providenciar uma narrativa central para os oito episódios dos quais dispomos. Se a série era sobre um roubo, eles teriam que roubar alguma coisa.

Também não podemos esquecer que o assalto das partes anteriores ficou famoso na Espanha e que a população desenvolveu uma adoração pelos criminosos. É justamente por conta desses fatores que a nova leva de episódios tem alguns de seus poucos contornos surpreendentes. Após a captura de Rio (Miguel Herrán) pela polícia, Tóquio (Úrsula Corderó) pede ajuda ao Professor (Álvaro Morte) para resgatá-lo. Começam, então, as repetições comprometedoras. Para distrair a polícia, O Professor resolve planejar um assalto ao Banco da Espanha, onde “jazem”, no subsolo e embaixo d’água, centenas de barras de ouro. Com essa base estabelecida logo nos dois primeiros episódios, o que o texto precisava era reviver a própria criatividade, produzindo um jogo de gato e rato que fosse tão bom quanto o que vimos da primeira vez.

O time de Pina acerta na ideia de anarquia promovida pelos assaltantes. A máscara de Dali vira uma espécie de símbolo de resistência e a maioria da população está do lado do Professor. É interessante, porque é como se fosse um recorte do que a própria série conseguiu, estampando-se em capas de caderno de crianças de 10 anos como se aqueles criminosos fossem heróis. Essa subversão é impressionante, questionável; e mérito absoluto das mentes por trás da produção. Quando a tática do Professor apela para o caos, era de se esperar que o caos fosse ser maior do que ele poderia controlar. Aí está outro grande ponto: o Professor precisa ser sempre infalível? Até onde vai essa demonstração narcisista de inteligência e poder?

La Casa de Fel

É preciso admitir que, por mais que queiramos apontar as recorrências da trama, é animador acompanhar o jogo entre polícia e bandidos. Tudo se repete exatamente como antes, mudando-se apenas o lugar de Raquel (Itziar Ituno) por Alicia (Najwa Nimri), uma negociadora bastante caricata, sem coração, grávida e que chupa pirulitos. Está nela a maior prova de como a série se fascina por si mesma, criando situações que apenas enaltecem os personagens que constroi. Alicia funciona enquanto “vilã”, porque La Casa de Papel domina os códigos do gênero da ação com segurança absoluta, mas quando demoniza a polícia para humanizar os criminosos, perde a chance de explorar de maneira interessante essa subversão de valores. A polícia está fazendo seu trabalho, mas na série apenas os bandidos são bons, ainda que violentem, matem, roubem, humilhem. Até mesmo quando tentaram humanizar Raquel, não resistiram em acabar transformando-a, também, numa criminosa.

Quando o espectador consegue se descolar desses apontamentos, tudo vira só uma contemplação do pega-pega entre os poderes dominantes. Sabemos que o Professor tem um plano para praticamente tudo que acontecer e um plano reserva para o que fugir do controle. Sabemos que a polícia – na figura de Alicia – vai desafiá-lo a ser mais e mais criativo. Visto só pela superfície, é praticamente impossível não curtir a adrenalina que os episódios propõem. São oito capítulos tomados de ação, tensão e até alguns diálogos profundos (sempre entre os bandidos, é claro). Contudo, já que estamos falando de uma história que obviamente não pode se prolongar muito mais do que já se prolongou, é o momento de ter coragem e de fazer sacrifícios. É o momento de conferir se Alex Pina vai continuar protegendo seu universo custe o que custar.

Dificilmente o fã das duas primeiras partes de La Casa de Papel vai se decepcionar. Foi um retorno extremamente competente na manipulação das próprias diretrizes. E se a parte 4 for tão boa quanto, já podemos marcar a produção espanhola na história das mais eletrizantes séries de ação que a televisão já viu.

La Casa de Papel Em andamento (2017- ) Criado por: Álex Pina Duração: 3 temporadas

O que podemos esperar de WandaVision

Série promete ser uma mistura entre aventura Marvel e sitcom de época

Desde que foram divulgadas as primeiras informações de WandaVision, sabia-se que a série usaria a estética dos anos 1950 para retratar o relacionamento entre Feiticeira Escarlate e Visão. Porém, como esses dois elementos se combinariam no contexto do universo Marvel parecia não fazer muito sentido, sobretudo considerando que a morte do personagem de Paul Bettany não foi revertida em Vingadores: Ultimato. Felizmente, a D23 Expo trouxe informações valiosas sobre o tom e o que pode estar em jogo neste seriado.

Durante o painel focado nas produções do Disney+, o presidente do Marvel Studios Kevin Feige apresentou uma espécie de teaser da série. Embora não tivesse cenas reais de WandaVision – afinal, as filmagens sequer começaram -, a prévia deu a entender que o relacionamento dos heróis passará por um desgaste severo ao longo de seis episódios.

Usando momentos do The Dick Van Dyke Show, uma das grandes inspirações para a produção, o vídeo intercala imagens de uma esposa devota ao seu marido com trechos dos filmes da Marvel em que os heróis aparecem apaixonados. Aos poucos, a prévia vai ficando tensa. Assim, marido e mulher do sitcom começam a se desentender e Wanda, por sua vez, aparece ora triste, ora usando seus poderes com convicção.

The Dick Van Dyke Show/CBS/Reprodução

Embora pareça mais confusa do que esclarecedora, a prévia parece indicar mais uma vez o interesse da Marvel em adaptar a Dinastia M. Assim como na minissérie publicada em 2005, o seriado deve retratar uma Feiticeira Escarlate incapaz de lidar com os traumas da sua vida – nas HQs, a perda dos filhos; no MCU, a morte do Visão e talvez também a do irmão, Mercúrio.

Como solução, a heroína usa seus poderes para criar realidades paralelas “perfeitas” para ela e os Vingadores. No caso específico dela, isso deve envolver o casamento estável com o androide que os dois tanto sonharam em Vingadores: Guerra Infinita – e existe estabilidade maior do que na família americana dos anos 1950? Porém, para seu azar, seus colegas de equipe percebem que há algo de errado e a vida idílica de Wanda começa a desmoronar.

OS COADJUVANTES DESSA HISTÓRIA

Uma das pessoas que deve notar as anomalias destas novas realidades é Darcy, a personagem de Kat Dennings nos primeiros filmes do Thor e que fará seu retorno ao universo Marvel nesta série. Perspicaz, a jovem sempre foi capaz de identificar inconsistências que nem mesmo Jane Foster e Erik Selvig conseguiam ver com sua bagagem científica. Além disso, em O Mundo Sombrio, a estudante teve uma alguma experiência com manipulações da realidade na batalha contra Malekith e os elfos negros. Logo, ela entende em alguma medida do assunto e, durante o período que ficou afastada do MCU, pode até ter continuado a estudar os pormenores da realidade.

Já a confirmação do retorno de Randall Park, o agente Jimmy Woo de Homem-Formiga e a Vespa, pode indicar o desenvolvimento das turbulências criadas pela Feiticeira Escarlate do ponto de vista criminal. O agente do FBI pode tanto ser o responsável por investigar as anomalias, como ser quem punirá a heroína.

Há de se notar, porém, que os eventos de WandaVision trarão consequências a Doctor Strange in the Multiverse Madness, ou seja, talvez nem Darcy, nem Woo possam realmente impedir o surto da heroína.

A atriz Kathryn Hahn, por fim, será apresentada como uma personagem inédita, descrita apenas como uma “vizinha intrometida”. Deste modo, especula-se que ela deva compor o lado mais anos 1950 da trama do que propriamente as confusões do universo Marvel, agindo como uma espécie de confidente da Wanda ou mesmo um alívio cômico. No entanto, com a produção envolta em tantos mistérios, é difícil saber com certeza.

Fato é que WandaVision será uma mistura de aventura tradicional da Marvel com uma sitcom familiar de época, um projeto ousado do Marvel Studios que parece fugir da fórmula que consagrou seu universo compartilhado. A fase 4 promete recomeços para o estúdio e, felizmente, a Feiticeira Escarlate e o falecido Visão farão parte deles.

Artigo originalmente publicado em de setembro de 2019.

Stranger Things 3 | Crítica

3ª temporada foca na excelente dinâmica entre seus personagens enquanto demonstra que está pronta para acaba

O mundo mudou desde que Stranger Things fez sua estreia na Netflix: a plataforma de streaming já não é mais a única no mercado e é preciso se preparar para a vindoura guerra de serviços contra a Disney, TimeWarner e muitas outras interessadas em uma fatia do bolo. Para tanto, são necessárias franquias originais de peso — o que o seriado certamente é. Mesmo com a cultura pop tendo superado a tendência nostálgica pelos anos 80, o programa se mantém relevante por sempre saber como se reinventar. Porém, a terceira temporada indica que a série está caminhando para o fim.

A trama retoma apenas um ano após todo o incidente com o Devorador de Mentes. Dessa vez, o já-adolescente grupo principal vive um animado e caloroso verão, tendo que lidar apenas com as dificuldades da puberdade e os atritos causados nos relacionamentos entre eles. Paralelamente, nas sombras, a criatura – trancada no Mundo Invertido – começa a abduzir moradores de Hawkins como parte de seu plano de retaliação contra a raça humana. É importante citar em duas partes pois a narrativa funciona da mesma forma: ao contrário dos anos anteriores, há equilíbrio entre o foco nos personagens e o mistério sobrenatural.

Assim, grande parte do tempo de tela é dedicado à avançar a personalidade e estado emocional do elenco: Will Byers (Noah Schnapp), o mais sofrido do grupo, precisa lidar com a mudança de interesses de seus amigos; Dustin (Gaten Matarazzo) se vê excluído após passar um mês longe dos colegas; Steve (Joe Keery) contempla uma vida abaixo das expectativas ao não ter conseguido ir para a universidade, trabalhando em uma sorveteria no shopping; Até o lado sentimental de Hopper (David Harbour) ganha mais destaque ao mostrá-lo tentando entender melhor como ser pai novamente ao cogitar como estabelecer limites no relacionamento de Eleven (Millie Bobby Brown) com Mike (Finn Wolfhard) – enquanto ele mesmo tenta definir sua relação com Joyce (Winona Ryder). Há uma clara inspiração em filmes de “coming of age”, como os clássicos de John Hughes, dando um certo tom novelesco que, estranhamente, funciona muito bem. Após tanta desgraça, é bom acompanhar o cotidiano desse universo.

Por contraste, essa rotina intensifica o arco sombrio da trama, que acompanha o Destruidor de Mentes se apoderando de Billy (Dacre Montgomery) com a intenção de possuir todos os habitantes da cidade. Se o lado diurno da série usa referências mais leves, aqui é o inverso, seja na abordagem à la Os Invasores de Corpos ou mesmo à clara inspiração visual no terror corpóreo do diretor David Cronenberg, com grotescas cenas de pessoas se dissolvendo em uma única massa de carne para compor o corpo do vilão. Alternar entre o mundano e o sangrento cria um ritmo ágil e agradável durante os primeiros episódios. Porém, a segunda metade da temporada encontra uma forma de juntar tudo numa coisa só — mesmo que sem um fio condutor tão interessante assim.

Fantasma Soviético

Existe ainda um terceiro arco narrativo, que mostra a atuação de cientistas e militares russos na pequena cidade. A primeira cena do novo ano revela que os soviéticos pesquisam desde 1984 uma forma de abrir o portal para o Mundo Invertido, mas a série nunca explica a verdadeira intenção deles com as criaturas, o que faz com que a presença russa soe mais como um clichê de filmes da época do que necessariamente uma adição ao universo do programa. Stranger Things sempre escolheu a dedo suas influências, mas essa cria uma certa fadiga. Ainda que a Guerra Fria tenha sido um prato cheio para a cultura pop, apenas apresentar o “vilão russo” sem nenhum diferencial serve apenas para relembrar como o arquétipo já foi explorado à exaustão.

Felizmente, essa falta de criatividade tem um propósito indireto, o que dá origem às melhores dinâmicas do programa. Como quando Steve, Dustin, Erica (a irmã de Lucas vivida por Priah Fergunson) e a novata Robin (Maya Hawke) — uma excelente e carismática adição por si só — exploram um bunker comunista, ou então Hopper e Joyce fingem ser uma dupla de detetives para sequestrar um cientista soviético enquanto fogem do implacável Grigori (Andrey Ivchenko), assassino russo que parece uma mistura de Dolph Lundgren com o T-800 de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro.

Rumo ao fim?

A terceira temporada de Stranger Things atesta o quão bom o seriado é em mudar de tom a cada ano para evitar o cansaço — mesmo que isso crie inconsistências aqui e ali, como o uso excessivo de flashbacks ou um inusitado número musical no finale. Essa criatividade, porém, não se repete nas ameaças ao grupo. O lado do Mundo Invertido entrega, sim, bons momentos de horror e asco, mas já não tem a mesma originalidade de quando apresentou o Demogorgon ou o Destruidor de Mentes pela primeira vez. O acerto está em não focar nisso, mas no carisma da relação de seus personagens, como a fofa amizade entre Eleven e Max (Sadie Sink) enquanto Mike e Lucas (Caleb McLaughlin) tentam entender suas namoradas.

Curiosamente, a temporada dá tanto destaque a desenvolver seus personagens que até entrega finais conclusivos.O último episódio deixa isso claro: com duração de 1h17, os minutos adicionais soam como uma despedida. Considerando também que não há tantos ganchos interessantes a serem explorados (mesmo com uma cena pós-créditos), é fácil imaginar que Stranger Things já está contemplando seu fim. Com mais e mais serviços de streaming ameaçando o reinado da Netflix, a plataforma dificilmente deixará a série ir sem temporadas adicionais ou um derivado. Porém, mesmo que jornada dos jovens oitentistas tenha mais alguns quilômetros, o destino final está logo à frente.

Stranger Things Em andamento (2016- ) Criado por: Netflix Duração: 3 temporadas

Falcão e Soldado Invernal ganham primeiras imagens na CCXP19

Bucky e Falcão estão de volta

Imagem da CCXP19

A série Falcão e Soldado Invernal ganhou suas primeiras imagens na CCXP19. Confira abaixo:

A CCXP19 acontece de 5 a 8 de dezembro, no São Paulo Expo, com todos os ingressos esgotados. Acompanhe a cobertura do Omelete no site, Twitter, Facebook, Instagram e TikTok, além das lives no canal do YouTube. O destaque do sábado é a pré-estreia de Frozen 2, Ryan Reynolds e Michael Bay no painel da Sony, além de Kevin Feige no Marvel Studios e o elenco de Star Wars IX: A Ascensão Skywalker.

Produtores do Arrowverse não tinha intenções de criar franquia

Marc Guggenheim e Greg Berlanti afirmam que “cada passo foi uma surpresa”

Imagem promocional de Crise nas Infinitas Terras/CW

Provavelmente uma das maiores franquias televisivas de super-heróis da atualidade, o Arrowverse, universo compartilhado de séries da CW baseadas em propriedades da DC Comics, já abrange oito séries – contando Raio Negro e os já anunciados derivados Green Arrow and The Canaries e Superman & Lois Lane – em oito anos, criando na emissora uma base sólida para o desenvolvimento de novas produções inspiradas em personagens da editora. Esse vasto elenco, porém, não estava nos planos quando Marc Guggenheim e Greg Berlanti criaram, em 2012, Arrow, seriado do Arqueiro Verde protagonizado por Stephen Amell.

Muitos gostam de achar que nós planejamos isso”, afirmou Berlanti ao Entertainment Weekly. “Cada passo foi uma surpresa”. Na mesma reportagem, Guggenheim lembra de ter negado diversas vezes a possibilidade de introduzir outros heróis da DC em Arrow: “nenhuma dessas entrevistas vale muita coisa agora”.

Enquanto a série do Arqueiro Verde introduziu The Flash e Legends of Tomorrow, Supergirl, inicialmente exibida pela CBS, se tornou parte do Arrowverse em seu 18º episódio, quando apresentou seu primeiro crossover com o Corredor Escarlate. Já Raio Negro, idealizada pela CW como uma produção a parte do universo compartilhado, não fugiu da vontade dos fãs e, a partir de Crise nas Infinitas Terras, deve integrar a mesma linha narrativa dos outros seriados.

Sobre a rápida expansão do universo da DC na emissora e os eventos anuais envolvendo quase todas as produções, Guggenheim resumiu como “inacreditável”. “A melhor maneira de [criar um universo narrativo/televisivo] é criar um bom primeiro programa. Esse aí é o difícil. Se você conseguir, faça o segundo bom programa”, refletiu o produtor, se referindo a Arrow e The Flash.

Com o fim de Arrow após a sua oitava temporada, a CW já planeja mais dois derivados: Green Arrow and The Canaries, focada em Mia Smoak (Katherine McNamara) e nas Canários Negro Laurel (Katie Cassidy) e Dinah (Juliana Harkavy), e Superman & Lois Lane, que contará a história do Superman (Tyler Hoechlin) de Supergirl.

A Crise nas Infinitas Terras será dividida em cinco partes: as três primeiras indo ao ar nos Estados Unidos respectivamente em 8, 9 e 10 de dezembro, enquanto as duas finais serão transmitidas em sequência no dia 14 de janeiro de 2020. A Warner Channel, que transmite os programas no Brasil, já afirmou que transmitirá o especial em dezembro e em janeiro, mas não é certo se acontecerá nos mesmos dias que a transmissão original.

Na trama da Crise nas Infinitas Terras nos quadrinhos, o Antimonitor quer acabar com os multiversos (já apresentados e explorados nas séries) e o Monitor reúne os heróis para impedir a ação. Ainda não há detalhes sobre como será a história na TV, mas a apresentação do personagem e o teaser citando que “mundos vão morrer” indicam que o caminho será parecido. O especial da DC na CW envolverá as séries ArrowThe FlashSupergirlBatwoman e Legends Of Tomorrow.